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Fotos: David 


Por Gabriel Teodoro
Da Página do MST 


Todas as pessoas que tiveram a oportunidade de passar pelo Circuito mineiro de Arte e Cultura da Reforma Agrária puderam ouvir, ver e sentir múltiplas expressões e sensações. O evento nos provou que o MST acertou quando decidiu ampliar a maneira de comunicar sua luta com a população. 


Em meio à programação foi impossível não reparar no carro chefe do evento: suas cozinhas. Uma mesa, um prato de moqueca capixaba sempre com alguém saboreando. 


Olívia, militante da região metropolitana, comenta que a cozinha da reforma agrária “é uma forma de amar as pessoas, pois o alimento é vida, e também é luta. Não basta o alimento ser saudável, o processo também deve ser saudável. É preciso que entendamos o processo vivo de sua feitura", essa é a linguagem do movimento.

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 O porco do rolete é uma tradição da culinária mineira.
Foto: David


Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Bahia. Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro, Metropolitana, Norte de minas, Vale do Rio Doce e Sul de Minas. Essas eram as plaquinhas que nomeavam as barracas de sabores e sorrisos estampados nos rostos de quem sabe que fazer comida é mais do que alimentar para ficar forte. É respeitar a vida e enxergar o humano como parte da Natureza. “Há tanta vida em um porco como tem em um pé de alface”, diz Olívia. 


Quente e picante, o prato capixaba era devorado por mim enquanto Olívia falava sobre o processo de fazer do porco do rolete. “Hoje em dia, é quase impossível que a gente veja alguém fazendo nossa comida. Isso aqui é a agricultura familiar. Comer um porco no rolete, ou um feijão tropeiro aqui, é diferente de comer em outros lugares. A gente sabe que, desde o tempero, até o porco e a farinha são produzidos pelo setor produtivo do nosso movimento”. 


Para ela, trazer as cozinhas para o festival não tem a ver somente com colocar produtos no mercado, mas sim apresentar uma nova concepção de produção e consumo da vida. Afinal, há algo mais cheio de vida e esperança do que um prato saboroso de comida? 


Um copo de suco de acerola, da barraca de Goiás, para rebater a pimenta. Comer não é só matar a fome, é também saborear. Dobradinha, carne de sol, galinha caipira, arroz com pato e Taioba – um costume mineiro – porco no rolete, feijoada, feijão tropeiro, moqueca, acarejé, tapioca, frango com gueroba, Caldo de Sururu Arroz com pequi, Suco de tamarindo, farinha. Esses nomes trazem consigo a cultura de um Brasil rico não só em recursos naturais e materiais, mas também humanos. 

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Foto: Mídia Ninja


Afinal, só a gente tem a capacidade de fazer uma mesma receita com diversos sabores. Ou até mesmo usar os mesmos ingredientes e mudar o nome do prato. de usar produtos cultivados sem agrotóxicos e plantados pelas mãos de quem vive a terra. Nessa feira, já não há tanta divisão por regiões ou estados: todos têm o compromisso de alimentar bem com o melhor que a terra nos dá. E assim vão fazendo sua luta. Desde a local, para a subsistência, até a geral, apresentando para a cidade de Belo Horizonte uma nova maneira de fazer cultura alimentar. 


“A cozinha do MST é um espaço para nos sentirmos acolhidos e sabermos que a luta não precisa sempre ser doída. Ela também é feita de muita festa e comilança. É preciso que experimentemos a construção de um novo mundo, mesmo em períodos difíceis como esse”, diz Olívia. Comer no Circuito Mineiro de Arte e Cultura da Reforma Agrária é um prato feito para a junção de beleza, saúde, respeito e justiça social. Coletividade, respeito, cooperação e responsabilidade com a vida. Esse é o ensinamento das famílias do MST às famílias de Belo Horizonte, de Minas, do Brasil e do Mundo.