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Oficinas e trocas de experiências fazem parte da programação da atividade


 

Por Franciele Petry Schramm 
Brasil de Fato, Paraná
Fotos: Julio Carignano e Leandro Taques

 

Um dos maiores eventos nacionais de incentivo à agroecologia e ao plantio sem veneno acontece no Paraná, entre os dias 20 a 23 de setembro. A décima sexta edição da Jornada de Agroecologia é realizada na cidade da Lapa, a 70 km de Curitiba. São quatro dias de atividades variadas: todas gratuitas e abertas ao público, que deve reunir 3 mil pessoas.



Realizada desde 2002, a Jornada de Agroecologia é um evento anual, promovido por organizações e movimentos sociais do meio rural e urbano. Pesquisadores, estudantes e professores também participam da construção da atividade. 



A integrante da coordenação da Jornada, Ceres Hadich, afirma que o evento é resultado de um processo de construção da agroecologia nas comunidades, assentamentos e territórios tradicionais do Paraná.



“Nas jornadas há um encontro das culturas, das diferentes culturas que resistem ao modelo imposto pelo agronegócio, um modelo de agricultura que degrada, que expulsa, que não se relaciona com a natureza e não respeita as demais formas de vida”, explica. 


 

Diversidade

 

Quem participa da Jornada pode conferir produtos da Reforma Agrária, na Feira da Agrobiodiversidade Camponesa e Popular. Também pode provar o gostinho que vem do campo no espaço ‘Culinária da Terra’. E as noites são regadas a dança e música camponesa e popular do Paraná.



O 'Memorial de Luta e Resistência' também deve reunir exposição de fotografias e de objetos que se tornaram símbolos na defesa de uma outra sociedade.



Além de debates relacionados a uma agricultura de respeito aos trabalhadores, consumidores e meio ambiente, os participantes da Jornada de Agroecologia também podem ter o contato com a prática.



Na quinta-feira, intercâmbios e oficinas serão realizadas em comunidades que desenvolvem experiências agroecológicas na região. As temáticas são as mais diversas: desde oficina de bioenergia e biosaúde, até de criação de cabras ou do uso sustentável do bambu.



Homenagem

 

Neste ano, a Jornada homenageia o militante do MST e trabalhador rural Valmir Mota de Oliveira, conhecido como Keno, assassinado há dez anos. 



Keno foi morto em 21 de outubro de 2007 por uma milícia armada, em um esquema organizado pela transnacional Syngenta Seeds e outros grupos ligados ao agronegócio. “O Keno é um companheiro que tombou na luta direta contra os grandes latifundiários”, explica Ceres.



Serviço:
16ª Jornada de Agroecologia
Data: 20 a 23 de setembro
Local: Parque de Exposições e Eventos da Lapa. BR 476 (Rodovia do Xisto) Km 66, Lapa, PR.

 


Edição: Camila Salmazio (rádio)