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Nos três municípios onde será realizada a campanha de alfabetização há cerca de 14 mil pessoas não alfabetizadas


 

Por Gustavo Marinho
Da Página do MST 
Fotos: Regis Philippe​

 

Jovens educadores e educadoras vindos de diversas regiões do Brasil, levantam a bandeira da luta contra o analfabetismo no Sertão de Alagoas, onde responsabilizam-se com a tarefa de alfabetizar jovens e adultos na região.



Inspirados pela mística do valor da solidariedade, os educadores e educadoras, a militância do MST e dos movimentos populares, amigos e amigas do movimento na região, lançaram na última segunda-feira (18) a campanha de alfabetização “Sim, eu posso!”. 



O ato político aconteceu no auditório do Instituto Federal de Alagoas, na cidade de Piranhas, e pautou a importância da realização de um grande mutirão de alfabetização nos municípios.



As salas de aulas estão localizadas nas periferias, comunidades e povoados rurais, além das áreas de acampamento e assentamento da Reforma Agrária nos municípios de Delmiro Gouveia, Olho D’Água do Casado e Piranhas.



Nos três municípios sertanejos, o MST formou 68 turmas de jovens e adultos que vão receber os jovens educadores nas comunidades, que atuam na jornada até o final do ano utilizando o método cubano de alfabetização “Sim, eu posso!”.



“Essa não é apenas uma campanha do MST, queremos que nossa jornada de alfabetização seja abraçada por toda a sociedade que não está conformada em termos hoje milhares de pessoas analfabetas”, disse o integrante da direção nacional do MST, José Roberto. 



O dirigente chamou atenção para os dados alarmantes de analfabetismo na região, além de destacar o papel que a campanha cumpre no atual momento político que vive o Brasil.



“Somente nos três municípios que os educadores e educadoras vão atuar, são cerca de 14 mil pessoas não alfabetizadas. Isso nos mostra uma realidade que devemos combater todos os dias, homens e mulheres que tiveram o direito à educação negado”.



Segundo José Roberto, os trabalhadores do campo vivem um momento que exige muita resistência, mas também é preciso aproveitar isso para apontar possibilidades de avanço, especialmente a partir da organização do povo. Ele também comemorou as conquista do MST no estado.


“Estamos há 30 anos em Alagoas com a organização dos trabalhadores rurais Sem Terra e podemos olhar para nossa história e ter orgulho das inúmeras conquistas ao longo desse tempo. É nesse sentido que queremos chegar no final das aulas e poder comemorar a conquista coletiva dos sertanejos e sertanejas que aprendem a ler e escrever com essa iniciativa”, afimou o dirigente.



Davi de Lacerda, do Levante Popular da Juventude, reforçou a importância da vinda da brigada de alfabetizadores do MST ao Sertão de Alagoas. 



“Essa iniciativa reforça o compromisso e a responsabilidade do Movimento Sem Terra com o conjunto da sociedade. A solidariedade traduzida nessa campanha deve nos inspirar, assim como inspirou diversos países que acabaram com o analfabetismo em seu território a partir da utilização do método vindo de Cuba”, afirmou.

 

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Ao todo 68 turmas de jovens e adultos farão parte da campanha 



Brigada de Alfabetização Nise da Silveira



Arleane Oliveira, veio da região do Extremo Sul da Bahia, onde vive no assentamento Edite Xavier e é uma das dezenas de jovens educadores e educadoras que vão atuar em Alagoas, na Brigada Nacional de Alfabetização que presta homenagem à Nise da Silveira.



Com 20 anos, Arleane comentou da importância de poder contribuir com a tarefa de diminuir o índice de analfabetismo no Sertão alagoano. “Essa é uma importante missão que assumimos com o conjunto da sociedade. Serei educadora na periferia de Delmiro Gouveia. Da região que eu venho na Bahia, pude acompanhar a transformação da vida de muitas pessoas depois que aprenderam a ler e escrever, assegurando e acessando seus direitos, e espero contribuir para ver essa transformação aqui em Alagoas”, destacou a militante, referindo-se a passagem da campanha “Sim, eu posso!” no Extremo Sul da Bahia.



Vindo do Sul do país, Raquel Venáncio, que é do assentamento Conquista da Esperança, no Rio Grande do Sul, será educadora em uma comunidade rural e não esconde a expectativa com o início das aulas.



“Sai de tão longe para um local que não fazia ideia de como seria, de uma realidade que eu não tinha noção de como era, para contribuir com a alfabetização. Espero que os próximos meses sejam de muito aprendizado, de novas vivências e de conhecer a história de muitos sertanejos e sertanejas”, relatou Raquel.



Aos 23 anos, a jovem que terminou o curso de medicina veterinária na Universidade Federal de Pelotas, relata o primeiro contato com os educandos na comunidade: “fiquei surpresa com a recepção. Quando a gente chegou lá para conversar com as pessoas, fomos recebidos com um grande sorriso no rosto”.



Assim como Raquel e Arleane, outros jovens dos estados do Paraná, São Paulo, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e do Distrito Federal, somam-se aos demais educadores e educadoras de Alagoas, na Brigada de Alfabetização Nise da Silveira, que já estão atuando nos diversos territórios dos três municípios do Alto Sertão.


 

*Editado por Solange Engelmann