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Por Reynaldo Costa
Da Página do  MST

 

É com resistência, compromisso e diálogo, que o MST no Maranhão estende a sua solidariedade matriculando 18.200 (dezoito mil e duzentas) pessoas em 15 das 30 cidades mais pobres do Estado. O número representa 90% do previsto para a meta de matriculas.


Com 80 militantes, vindo de todas as regiões do Brasil, o movimento vivenciou todas as dificuldades, pelas quais passam parte da população pobre do estado e concluiu a etapa de mobilização da segunda fase da Jornada de Alfabetização no Maranhão “Sim, eu posso!”.


Dos 15 municípios atingidos pelo programa, 11 podem ter o analfabetismo superado, ou seja, reduzidos a pelo menos 4% o número de analfabetos, uma meta a qual a ONU declara que o país precisa ter para erradicar o analfabetismo. Dos 11 municípios aptos à superação, quatro estão recebendo pela primeira vez o programa “Sim, eu posso!”.


A mobilização


Para alcançar esses números e dar corpo à segunda fase do “Sim, eu posso!” no Maranhão, o MST distribuiu nos 15 municípios 80 militantes com a tarefa de dialogar com as populações atingidas pelo analfabetismo e de mobilizá-las para garantir a realização do Projeto.


Para a Coordenação Pedagógica do Programa a equipe de mobilização cumpriu muito bem sua tarefa: “O papel da etapa de mobilização era exatamente dar agilidade ao processo das matrículas, através do diálogo e sensibilização, conforme o método de trabalho do MST”, explica Simone Silva, da Coordenação Pedagógica.


A realidade encontrada pelos mobilizadores nas localidades visitadas era, em sua maioria, de um povo em situação de grande pobreza. Em Afonso Cunha, no leste do estado, em uma comunidade de nome Lagoa dos Pássaros, muitas das famílias visitadas apresentavam crianças e adolescentes com possíveis deficiências ou alguma síndrome.


Outra das principais dificuldades encontradas está relacionada à mobilidade, ao acesso às comunidades e acesso de comunidades à escola.


Nas caminhadas


A mobilização também identificou famílias inteiras em situação de analfabetismo. Um dos casos que mais chamou a atenção dos mobilizadores foi encontrado no povoado Olho D’água, em Milagres do Maranhão, também no leste do estado. Lá, 11 pessoas adultas de uma mesma família são analfabetas e todos foram matriculados.


“Seu Antônio Bernardo, de 68 anos chamou os demais da família e 'sem pestanejar', convidou todos a estudar”,  relatou João de Sousa, militante brigadista.


Em Santa Filomena, região central do estado, um exemplo de confiança no "Sim, eu posso!" veio no meio de uma assembleia de apresentação do programa com a comunidade Baixa do Coco. Seu Vírgulino Silva de 74 anos explana em alto tom: “vejo na cara de vocês que esse é um programa sério, vou ser aluno desse 'Sim, eu posso!'”. Uma atitude de vontade e de força, que demonstra que muitos precisam da oportunidade e da concretização de uma relação de confiança entre as parte que atuam no projeto.


Santa Filomena é um dos municípios que podem superar o analfabetismo. Lá os mobilizadores atingiram 22% de matriculas acima do projetado, que eram de 732.


A maior parte dos matriculados estão em uma idade acima dos 40 anos, mas há homens e mulheres que passam dos oitenta e até noventa anos nesta lista de matriculados. Em Marajá do Sena, centro do estado, seu Luís Alves dos Santos esta matriculado, ele tem 94 anos, é a pessoa de maior idade identificada até agora.


A perspectiva de que a segunda fase da jornada de Alfabetização seja vitoriosa vem da boa etapa de mobilização. Mas, “o que vai garantir uma boa jornada e a superação do analfabetismo em alguns municípios, não é só as matriculas, mas também a aplicação da politica do programa por completo”. Avalia Simone Silva da Coordenação Pedagógica.


Neste final de semana começa a capacitação de educadores e coordenadores de turma, e a  previsão é de que a partir do dia 21 as aulas terão inicio.

 

 

*Editado por Rafael Soriano