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Por Gustavo Marinho
Da Página do MST

 

A última sexta-feira (7) foi um dia de comemoração no Assentamento Gastone Beltrão, no município de Olho D’Água do Casado, no sertão de Alagoas. Lá, os assentados e assentadas celebraram a construção das casas no assentamento, com o ato político de inauguração e uma grande festa envolvendo todo o assentamento e parceiros da região.


Em clima de “arraiá”, ninguém escondia do rosto a satisfação em comemorar a conquista da moradia no assentamento. “Cada vez que eu via, aos poucos, essa casa ser construída, sempre me emocionava. E hoje é ver um sonho realizado”, disse Ivanilda Cândido da Silva, uma das agricultoras que recebeu a nova casa.


“Quando a gente estava vivendo no barraco de lona e taipa era muito sofrimento, no sol ou na chuva. Hoje podemos dizer que temos uma casa linda para viver com nossa família”, completou Ivanilda, abraçada a suas filhas e seu companheiro.

 

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Ao todo, foram 14 casas de 72,45 m² inauguradas no assentamento pelo Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR). De acordo com Crislany Barbosa, assistente social do Centro de Capacitação Zumbi dos Palmares, entidade responsável pelo projeto de construção das casas, a conquista da moradia é fruto de um amplo e coletivo processo que reflete a organização das famílias do assentamento e o envolvimento de diversos profissionais que participaram do projeto.


“Hoje é um dia especial para todos nós que enfrentamos diversas dificuldades para materializar essa conquista. Celebramos aqui a conquista de um direito que é a moradia digna e esse direito só foi efetivado pela disposição de muitos e muitas para conquistá-lo, superando a burocracia e as diversas dificuldades”, comentou a assistente social.


Participaram do ato de inauguração assentados e acampados da região, a equipe do Centro de Capacitação Zumbi dos Palmares, representantes da Superintendência do Banco do Brasil, além de representantes da Câmara dos Vereadores e o prefeito da cidade de Olho D’Água do Casado, Zé da Emater.


Alessandra Morais, do Banco do Brasil, destacou a alegria de partilhar do momento da comemoração da inauguração. “Pela primeira vez estou participando da inauguração das casas. Sempre acompanhei o processo dos documentos e é muito bom estar aqui. Fazer parte desse momento de realização de um sonho para diversas famílias é muito gratificante para todos nós do banco”.


Na mística que acompanhou o dia, os trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra, além de destacar as conquistas que acompanhou a história do assentamento até o momento, reforçaram a necessidade de luta para alcançar outros direitos ainda não efetivados para os camponeses e camponesas da região.

 

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“Celebramos aqui mais um passo, sabendo que a nossa caminhada ainda é longa”, disse Débora Nunes, da Coordenação Nacional do MST, durante o ato de inauguração das casas.


“Em um momento difícil na conjuntura, onde vivemos um golpe, termos a possibilidade de, coletivamente, hoje comemorar a inauguração destas casas. É uma importante demonstração da nossa capacidade de luta e resistência, além de reforçar a nossa disposição em seguir avançando”.


Nunes rememorou a trajetória percorrida pelos trabalhadores e trabalhadoras até a concretização das casas: “só foi possível estarmos hoje aqui pelas diversas vezes que ocupamos as agências e superintendências dos bancos em todo o estado de Alagoas. De cada um e cada uma não tivesse se organizado e se colocado em luta, nada disso aconteceria”, completou.

 

*Editado por Leonardo Fernandes