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Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

 

Quem visitou a 13ª Feira Latino-Americana de Economia Solidária (EcoSol) e a 24ª Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop), realizadas de 7 a 9 de julho em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul, pôde conhecer a produção de alimentos, sementes e artesanatos dos assentamentos da Reforma Agrária. Num túnel de 50 metros de comprimento, 18 cooperativas e associações do MST levaram para os eventos, considerados os maiores da América Latina no ramo da Economia Solidária, uma grande diversidade e variedades de produtos.

 

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Dona Marli levou para a feira 10 variedades de feijão.

A camponesa Marli de Oliveira, de 46 anos de idade, levou para a feira dez, das 30 variedades de feijão orgânico que são produzidas pela Associação de Produtores Ecológicos Conquista da Liberdade (Apecol). A associação envolve 16 famílias do Assentamento Conquista da Liberdade e do Assentamento Conquista da Luta — Rubira I, ambos localizados no município de Piratini, na região sul do estado.


Marli conta que este é o terceiro ano consecutivo que a Apecol participa da feira e que o seu principal objetivo é levar mais saúde aos consumidores. “Hoje em dia, quase tudo o que a gente compra nos supermercados tem veneno. Então esta é uma oportunidade que temos de mostrar às pessoas que é possível comer um alimento mais saudável, quando elas procuram em feiras”, argumentou.


A cerca de 300 quilômetros de dona Marli, na região da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, Rosane Duarte Fernandes, de 41 anos de idade, reaproveita todas as penas de aves que abate para consumo familiar ou encontra no seu lote, localizado no Assentamento Santa Verônica, no município de Santa Margarida do Sul, para fazer artesanato. Com o uso de massa de biscuit, pinho, penas, arame, madeira, argila, palha de milho e cola ela reproduz diversos animais, entre eles gansos, galos, galinhas, angolistas, emas, perus, tatus e perdizes, além de presépios natalinos. “É um enfeite para colocar na casa ou dar a alguém de lembrança”, diz. Todos os trabalhos feitos por Rosane são exclusivos e manuais, e foram expostos pela primeira vez na 13ª feira da EcoSol, após dois anos de sua participação numa oficina de artesanato da Emater. “Quero voltar sempre, a feira é muito boa para mostrar o que sabemos fazer”, declarou.

 

Rosane trabalha com artesanatos há dois anos. A 13ª EcoSol foi a sua primeira feira.jpg
Rosane participa pela primeira vez da EcoSol. 

Já Laércio Barbosa Nascimento, de 29 anos, viajou mais de 260 quilômetros até Santa Maria para representar a Rede de Sementes Agroecológicas Bionatur, da Cooperativa Agroecológica Nacional Terra e Vida (Conaterra), que sede no Assentamento Roça Nova, em Candiota, na região da Campanha. Segundo ele, o público urbano é quem mais procura as sementes nas feiras, seja para cultivar em pequenos pátios ou até mesmo em vasos em apartamentos. Ele levou para a EcoSol cerca de 20 variedades de hortaliças e flores, tais como mostrada crespa, alface quatro estações, coentro verde, couve chinesa, jiló, berinjela, tomate cereja e girassol. “O intuito é expor a marca e mostrar como é feita a nossa produção, sem o uso de veneno. Um das boas vantagens para o consumidor é plantando as sementes Bionatur é possível colher outras para plantar novamente”, acrescentou.


As feiras


A Feicoop e EcoSol são feiras anuais e promovidas pelo Projeto Esperança/Cooesperança, com o apoio da Prefeitura de Santa Maria, Cáritas, Instituto Marista Solidariedade (IMS), Fórum Brasileiro e Gaúcho de Economia Solidária, entre outras entidades. Para esta edição, segundo a irmã Lourdes Dill, coordenadora do projeto, as duas feiras atraíram cerca de 250 mil pessoas ao Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter. No ano passado, 248 mil visitantes de 16 países e de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal passaram pelo local, onde puderem conferir a exposição de mais de 10 mil produtos e participar de dezenas de seminários, oficinas, cursos de formação e palestras.

 

*Editado por Leonardo Fernandes