Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia*
Da Página do MST


Nesta última segunda-feira (3), o Ministério Público (MP), com atuação no estado da Bahia, denunciou seis homens pela execução do militante do MST Fábio Santos. O crime aconteceu no dia 02 de abril de 2013 na região de Iguaí, no distrito de Palmeirinha, enquanto a vítima seguia num carro, com sua esposa, à sede do povoado.


De acordo com a denúncia, realizada pelo promotor de Justiça Antônio Ferreira Leal Filho, Fábio foi atingido por 15 tiros na frente de sua esposa, vítima de uma emboscada, segundo o inquérito, organizada pelo proprietário rural Délcio Nunes Santos e pelo vaqueiro Ricardos Neves de Oliveira.


Os dois teriam sido contratados para realizar a execução, ao preço de R$ 10 mil, pelo fazendeiro Welder Leonardo Gusmão Amaral, pelo comerciante Márcio Fabiano Cunha Borges e pelos vaqueiros Arenaldo Novais da Silva e Neuton Muniz da Silva.


O promotor aponta também, que um dos motivos do crime era a atuação do militante nas lutas em defesa da Reforma Agrária, o que prejudicava os “interesses dos denunciados”.


Recentemente em entrevista ao portal de notícias Fala Bahia, o deputado federal Valmir Assunção (PT), afirma que os familiares têm sofrido com a morosidade da justiça e destaca que é preciso punir exemplarmente os culpados, para que crimes como esses não aconteçam mais em lugar algum do Brasil.


Para o parlamentar, perplexo com o nível de crueldade relatado no documento, tudo aconteceu porquê Fábio lutava pelo acesso à terra. “Precisamos cobrar das autoridades rigor para que possamos dar respostas para a família. A violência no campo é um dos sérios problemas que vitimou, em 2016, cerca de 54 trabalhadores e trabalhadoras”, conta.

Nesse sentido, Evanildo Costa, da direção nacional do MST, nos fala que a denúncia é reflexo de uma luta coletiva construída pelos trabalhadores Sem Terra em todo estado e foca nas intervenções do Movimento no município de Iguaí. Costa recorda também que foi realizada uma ocupação à Secretaria de Segurança Pública, localizada em Salvador, e na ocasião, os trabalhadores foram recebidos a bala pelo subsecretário.

“O Ministério Público identificou as pessoas. Agora cabe o poder judiciário dar seguimento aos processos. Nós continuaremos cobrando e denunciando. Não cruzaremos os braços, realizaremos muitas mobilizações para que os julgados possam ser condenados”, enfatiza.


Próximos passos


Após a denúncia realizada pelo MP, o juiz vai aceitar ou rejeita-la. Se for aceita, os acusados serão chamados para apresentar defesa e partir disso começar a “instrução”, que seria a realização de audiências e apresentação de provas. Agora cabe ao Poder Judiciário fazer o processo andar.

*Com informações do Ministério Público