19657380_841481582673263_4659371944077243110_n.jpg

 

Por Janelson Ferreira
Da Página do MST

 

Nesta sexta-feira (7), acontece em Campo Grande, MS, a Mostra da Cultura Camponesa, atividade organizada pelo MST como forma de divulgar a produção realizada nos assentamentos da Reforma Agrária no estado. As famílias que participam da Mostra vêm de todas as regiões do estado, trazendo uma grande diversidade de produtos – de artesanatos a pães e doces e, claro, produtos in natura. Além de Sem Terras, participam famílias e organizações que também estão empenhadas em produzir alimentos saudáveis no campo.


A Mostra expõe a Reforma Agrária Popular, estratégia do Movimento Sem Terra que apresenta uma alternativa de produção para o campo brasileiro, em oposição ao agronegócio. Pelo projeto, a democratização do acesso à terra também passa pela mudança da forma de sua utilização. O Movimento defende que o campo do país não deve estar voltado à produção de commodities, como a soja, a cana-de-açúcar e o eucalipto, mas precisa ser utilizado para a produção de alimentos saudáveis para a população.


Segundo Sindy Gauber, do Setor de Gênero do MST, a Mostra deseja contrapor a afirmação de que os assentamentos são favelas rurais. “Nossos assentamentos possuem uma imensa gama de produção. Aqui no estado temos, majoritariamente, o leite, a mandioca, as hortaliças, entre outros. Mas cada família possui sua produção específica, o que acaba dando uma variedade que só a Reforma Agrária alcança. O agronegócio, pautado pelo monocultivo, não consegue isto”.


Para Sindy, a busca por alimentos saudáveis cresce constantemente. “Graças às denúncias dos movimentos sociais, a população vem se conscientizando do risco que os agrotóxicos causam à saúde. Isto faz com que busquem cada vez mais os alimentos produzidos pela agricultura familiar”, afirma a Sem Terra.


O que se destaca na Mostra é a efetiva participação das mulheres. Elas são as protagonistas na organização do evento e na produção presente. Vários grupos produtivos dos assentamentos, compostos majoritariamente por mulheres, estão na Mostra. Elas são responsáveis pela produção de artesanatos à doces de frutos do cerrado.


Para Atiliana Brunetto, dirigente nacional do Setor de Gênero do MST, “esta atividade demonstra, na prática, que o lugar da mulher Sem Terra não é dentro de casa, isolada nas tarefas domésticas, mas na produção de alimentos livres de agrotóxicos”.


Esta é a primeira vez que o MST organiza uma atividade do gênero no estado. No entanto, nacionalmente o Movimento já organizou duas Feiras Nacionais da Reforma Agrária, em SP, um Festival Nacional de Artes e Cultura da Reforma Agrária, em Belo Horizonte, MG, além de inúmeras outras feiras estaduais. O objetivo é difundir a ideia de que a luta pela Reforma Agrária é mais atual do que nunca e que só é possível ser alcançada pela luta da classe trabalhadora, por meio das ocupações de terras e outras ações.


Além de Sem Terras, participam da Mostra da Cultura Camponesa grupos de famílias de pequenas propriedades rurais do estado, de outros movimentos sociais, indígenas e quilombolas.

 

 

*Editado por Rafael Soriano