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Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia
Da Página do MST


Os festejos juninos, comemorados em todo país, tiveram espaço garantido nos assentamentos e acampamentos do MST espalhados de Norte a Sul da Bahia.


Nas escolas com a data comemorativa se discute identidade camponesa, cultura popular e a produção de alimentos saudáveis. Já na organicidade dos assentamentos e acampamentos, as famílias preparam coletivamente a festa com animação, a culinária típico e com a mística dos 30 anos do MST no estado.


Exemplo disso, foi a Escola Nelson Mandela, localizado no acampamento que leva o mesmo nome, em Ponto Novo, no Norte da Bahia, os Sem Terrinha, os pais e a coordenação do espaço se confraternizaram às vésperas do dia 24 para celebrar a luta pela terra.


As comidas típicas foram levadas pelas famílias do acampamento, que se somaram a quadrilha junina, o pau enfeitado e ao casamento matuto que animaram a comemoração.


Socorro Varela, da direção estadual do MST, ajudou a organizar a atividade e afirmou que foi muito bonito ver as crianças protagonizarem um evento dentro da comunidade e, principalmente, ter conseguido envolver todas as famílias. “Precisamos resgatar essa mística de trabalhar dentro de nossas escolas para fortalecermos nossas bandeiras de luta”, explica.


No Baixo Sul do Estado, de 23 a 25/6, o MST ocupou o “Arraiá de Ituberá”, uma das festas mais movimentadas da região com um estande de produtos da Reforma Agrária oriundos de três assentamentos do MST.


Além da simbologia da luta pela terra, o estande apresentou a sociedade a diversidade cultural e produtiva. Nesse sentido, Elane Fritz, também da direção do Movimento, destaca o sucesso que foi a estande já que contou com a participação dos cantores Zé Felipe, Geraldo Azevedo e com a presença do deputado federal Valmir Assunção (PT-BA).


Ela fala ainda que não existe nada melhor para expressar o que é a luta pela terra, do que os próprios produtos da Reforma Agrária. “Nossa participação é importante pois estamos dando o caráter da luta para uma festa popular e dialogando, mais uma vez, com todos e todas sobre nossa simbologia”.


Cultura Popular


As duas experiências citadas são exemplos concretos de que uma grande festa, onde se investe milhões de reais pelo poder público com artistas nacionais, tem outro significado para os trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra.


De acordo com Rosalvo José, artista da Reforma Agrária, existe uma integralidade entre o campo e a cidade, pois a cultura popular é um instrumento que nasce do povo, independentemente do local onde se vive.


“Quando o Sem Terra produz alimento, ele produz música e produz cultura. O São João nada mais é do que a expressão do povo e nós, enquanto movimento popular, possui a tarefa de fazer de nossas áreas um espaço onde se celebre essa cultura, levando-a à cidade”.


“Nossa cultura é nossa vida e nossa vida é a expressão de nossa cultura. Não podemos perder isso jamais”, conclui José.