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Por Gustavo Marinho
Da Página do MST

 

Desde o início do mês de abril, estudantes e professores amigos e amigas do MST em Alagoas realizaram as atividades da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária no estado. Ao todo, foram cerca de 20 atividades, incluindo cine debate, rodas de diálogo e mesas de debate em quatro instituições de ensino superior de seis municípios, nas diversas regiões de Alagoas.


Questão Agrária, criminalização dos movimentos sociais, educação do campo e a defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras foram alguns dos temas em debate nas ações da jornada.


“Um dos propósitos da jornada é unir diferentes sujeitos, das variadas áreas do conhecimento, para recolocar o debate da Reforma Agrária no seio da sociedade, a partir dos espaços acadêmicos, enquanto espaços legítimos socialmente, com o intuito de apontar alternativas para Alagoas e para o Brasil, tendo como foco discutir o papel da agricultura camponesa no combate às desigualdades sociais”, disse Franqueline Terto, do MST.


Para Franqueline, a jornada cumpre um importante papel no atual cenário político no sentido de ampliar e fortalecer a relação da universidade com os movimentos sociais. “Vivemos em um período histórico de muitos desafios para o conjunto da sociedade. Entendemos que a universidade pode desempenhar um papel fundamental na sociedade, em provocar discussões e análises sobre as mudanças em curso no âmbito do desenvolvimento econômico e social”, comentou a militante que contribuiu na coordenação da jornada em Alagoas.

 

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“Em Alagoas especialmente, com uma população rural em torno de 26%, com altos índices de concentração fundiária e de relações precárias de propriedade, refletir sobre o campo, sobre o rural, sobre a agricultura camponesa, é indispensável para refletir e apontar caminhos para o desenvolvimento socioeconômico do nosso estado”, explicou.


Participaram da Jornada Universitária de 2017 no estado a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), o Centro Universitário Cesmac e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal).


Além das atividades de debate, a jornada em Alagoas encerrou com a vivência dos estudantes em áreas da Reforma Agrária. Os participantes visitaram o Acampamento São José, em Atalaia, Zona da Mata alagoana, onde conheceram a história da luta pela terra na região e a resistência dos Sem Terra acampados em uma das áreas de maiores conflitos do estado, na luta para que a terra seja destinada ao assentamento das famílias. Lá, os estudantes expressaram sua solidariedade e apoio a luta dos trabalhadores e das trabalhadoras Sem Terra.


Ainda como parte da vivência, os estudantes visitaram o Assentamento Milton Santos, onde puderam conhecer o processo da organização da produção de alimentos na área.


Para Tiago Di Lucas, estudante de Comunicação Social da Ufal, a atividade conseguiu mostrar as diversas dimensões da luta pela Reforma Agrária.“Desde a receptividade acalentadora, a organização na área e as questões da produção aliada à agroecologia, respeitando a terra, tudo me chamou bastante atenção”, destacou o estudante.


“Ainda que se tenha a história banhada de sangue, ver o quão aguerridos e aguerridas são na luta pela Reforma Agrária Popular, foi muito importante. Conheci um senhor de 67 anos, de nome Pedro, que falou algo que eu jamais me esquecerei: ‘Eu parei de passar fome quando entrei no MST e entendi o que era a Reforma Agrária’. Isso não vou esquecer dessa experiência”, contou Tiago.


A Jornada


Criada em 2013, a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (Jura) ocorre entre os meses de abril e maio em todo o país, envolvendo diversas instituições de ensino superior. A jornada, que acontece durante o período de memória do Massacre de Eldorado dos Carajás, denuncia a violência e a impunidade no campo e busca fortalecer o debate em torno da luta pela terra e pela Reforma Agrária nas universidades e faculdades do Brasil.

 

*Editado por Leonardo Fernandes