Por Railídia Carvalho
Do Vermelho


Afonso condenou o massacre de Pau D’Arco começando pela decisão do juiz Erichson Alves em autorizar a polícia local a ser a responsável por fazer o despejo inicial. “Isso é proibido desde o massacre de Eldorado dos Carajás. As polícias civil e militar tem uma proximidade muito grande com latifundiários, por isso em caso de despejos coletivos a orientação para as varas agrárias é acionar o batalhão especial da polícia de Belém, que é treinado para esses casos”, explicou o advogado.


De acordo com ele, o batalhão especial se encontra no sul do Pará mediando outros conflitos na região e estranha não terem sido acionados. Segundo Afonso, a mediação do batalhão tem sido eficaz em resolver os conflitos sem a ocorrência de violência.


Polícia do latifúndio


A notícia que chegou até Afonso dá conta de que 10 ou 11 trabalhadores teriam sido mortos, entre eles uma mulher. Mas também deve haver feridos e não se sabe em que condições estão essas pessoas. Pau D’arco faz parte do município de Redenção e está há 350 km de Marabá (PA).


De acordo com Afonso, as famílias retornaram à fazenda Santa Luzia após ter sido cumprida uma ordem de despejo concedida pelo juiz Erichson. As famílias voltaram ao local e após conflito um pistoleiro foi morto. 


Sob o argumento de que iriam cumprir mandado de prisão por conta dessa morte, a polícia local chegou à fazenda e o resultado foram as mortes dos trabalhadores sem que nenhum responsável pelo ataque tenha sido identificado até o momento. 


Ayala Ferreira, coordenadora nacional do Movimento Sem Terra,  disse que as vítimas não fazem parte do MST mas também lutam para ter direito à terra onde possam viver com suas famílias. “O fato é que é a polícia militar da cidade de Xinguara se somou com a pistolagem, com as empresas de segurança do latifúndio para fazer o despejo das famílias na base da violência”. 


“Essa região do Pará é uma região, infelizmente, com possibilidades de ocorrerem mortes há qualquer momento. Temos mais de 160 fazendas ocupadas por diferentes movimentos sociais. E a maioria desses conflitos são graves e já duram muitos anos”, analisou Afonso.


Na opinião dele, a inoperância do Estado e dos órgãos públicos, como Incra, Justiça Federal, estimula a continuidade desses conflitos e aumenta a possibilidade de explodirem situações como essa a cada momento. “E quando o estado intervêm é sempre com ação policial para tratar uma questão social”, disse.


Marcados para morrer


Ayala afirmou também que os trabalhadores estão assustados com a maneira como o grau de violência tem se materializado no estado. Seguindo ela, está de volta uma característica forte da ação do latifúndio no estado nos anos 70 que era não só matar para exterminar mas para dar o exemplo e intimidar a luta.


“Só aumenta significativamente e tem a ver com a luta pela terra, pela reforma agrária. O Estado vira de costas para o trabalhador, o poder judiciário atua sempre a favor do latifúndio contra as famílias não importando quanto tempo estejam naquele pedaço de terra”, acrescentou a dirigente do MST.


Ayala contou que desde o agravamento das mortes os movimentos de trabalhadores rurais criaram com apoio de entidades e ativistas de direitos humanos, incluindo comissões de direitos humanos da Assembleia legislativa e da Câmara federal, uma frente ampla para denunciar o recrudescimento da violência na região e responsabilizar o latifúndio e o Estado pela omissão.


No início de maio, os trabalhadores rurais Etevaldo Soares Costa e Kátia Martins foram assassinados no Pará. Segundo o Instituto Médico Legal de Marabá (IML), Etevaldo tinha marcas de tortura no corpo. Kátia era a líder de um assentamento no município de Castanhal, no nordeste do Pará. O local do assentamento é uma área de conflito e Kátia havia sido ameaçada.


*Editado por Leonardo Fernandes