Por Leonardo Fernandes
Da Página do MST
Foto: Gerardo Gamarra


São 47 anos de idade e mais da metade da vida foi dedicada à luta pela Reforma Agrária. Maria de Lourdes Pereira de Souza, a Lurdinha, é produtora rural do assentamento Marrecas, o primeiro do estado do Piauí.


Já se passaram 27 anos desde a derrubada da cerca, e hoje, Marrecas é referência no estado do Piauí e na região nordeste, graças ao esforço e ao trabalho das mulheres e homens que decidiram tomar para si a responsabilidade da Reforma Agrária. “Era um latifúndio improdutivo e nós éramos 120 famílias. Então nós ocupamos a área, passamos fome, frio, repressão policial, moramos debaixo da lona preta, mas no final das contas, nós conseguimos”, comenta a produtora.

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 Lurdinha recebeu em 2015 o Prêmio Sebrae - Mulher
de Negócios.


Ela conseguiu. Sobreviveu às dificuldades decorrentes da luta contra o agronegócio e logrou transformá-las em motivação para encarar outros desafios, ainda mais se tratando de uma mulher. “Quando nós ocupamos a terra, nós tínhamos um grande desafio que era produzir. Porque você sabe que mulher, para provar que é boa na área de produção, ela tem que ser boa mesmo. E eu queria estar em pé de igualdade com os homens. E eu consegui mostrar que aqui a Reforma Agrária dá certo. Aqui tem uma mulher, que junto com outras companheiras, faz com que isso aconteça”, disse.


Tanto esforço valeu à pena. Lurdinha recebeu em 2015 o Prêmio Sebrae - Mulher de Negócios - por ajudar a organizar o processo produtivo no assentamento, que hoje tem uma variedade enorme de produtos saudáveis.


“Logo que a gente ocupou, começamos a produzir uva irrigada. No primeiro momento foi muito difícil porque nós não conhecíamos como era o processo de produção da uva. Hoje, a uva continua sendo o carro-chefe do assentamento, mas temos também melancia, abóbora, goiaba, mamão, uma produção bastante diversificada”.


Estreia na Feira


Lurdinha não participou da 1ª Feira da Reforma Agrária, mas não foram os mais de dois mil quilômetros que a impediram de estar presente na 2ª edição do evento. “Viajamos três dias para chegar a São Paulo, chegamos com os pés inchados, mas está valendo muito à pena. Porque aqui a gente sente o reconhecimento pelo nosso trabalho, a valorização dos nossos produtos. Aqui já passaram pessoas que não sabiam nem o que era a Reforma Agrária, e no dia seguinte estavam aqui de novo. Isso mostra que os produtos do MST são de qualidade e tem muita aceitação”, fala com entusiasmo.


A barraca do Piauí oferece uma variedade de geleias produzidas pela associação APFruta, formada por mulheres assentadas, que buscam melhorar a renda familiar através dos alimentos beneficiados. “Nós trouxemos geleia de goiaba, de uva, uva com pimenta, mel de abelha, cajuína, rapadura e farinha de tapioca”, disse Ludinha, aproveitando para fazer propaganda das delícias.


Visite a barraca do Piauí e dos outros 22 estados presentes na 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária. É só até domingo.

Confira a programação completa aqui ou acesse o registro fotográfico no flickr oficial do MST


*Editado por Iris Pacheco