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Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST
Fotos: Mídia Ninja

 

Enquanto a mãe de Daniel Matheus, 8 anos, trabalha coletivamente para garantir o sucesso da 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária, que acontece até o próximo domingo (7) no Parque da Água Branca, em São Paulo, o Sem Terrinha participa de uma série de atividades na Ciranda Infantil Paulo Freire, um espaço construído especialmente para acolher as crianças que vieram com seus pais de vários estados do país à capital paulista.


O pequeno Daniel mora no Assentamento Piritbua, localizado no município de Itapeva, no interior de São Paulo, onde estuda na Escola Municipal Terezinha de Moura Rodrigues Gomes. Ele está no 2º ano do fnsino fundamental e revela que sua disciplina favorita é matemática. Porém, ir à escola e mexer com números são apenas algumas de suas práticas preferidas: o Sem Terrinha também adora frequentar a Ciranda Infantil. “É bem legal, porque tem várias brincadeiras e sempre aprendo muitas coisas”, conta.


Mais que um espaço itinerante que garante a permanência por período determinado – das 8 às 12 horas e das 13 às 18 horas – durante aos quatro dias de Feira Nacional da Reforma Agrária, a Ciranda Infantil possibilita a integração entre filhos de assentados e acampados, de 0 a 12 anos de idade, por meio de diversas atividades artísticas, culturais e educativas, tais como exercícios para estimular a coordenação motora, teatro, brincadeiras tradicionais, pinturas, músicas e jogos infantis.

 

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Ainda no espaço ocorrem rodas de conversas sobre a alimentação saudável e a importância de iniciativas como a feira para a população do campo e da cidade. Todas as atividades foram planejadas por 35 educadores populares do MST e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que participaram de processos de formação e agora são responsáveis pelo cuidado de cerca de 30 crianças durante o evento.


De acordo com Janaína Rezende, do setor de Educação do MST, a Ciranda Infantil se destaca por valorizar a educação popular, contudo não se caracteriza necessariamente como um espaço escolar. “O intuito é propiciar o desenvolvimento integral dos Sem Terrinha, além de potencializar as escutas das demandas infantis como forma de respeitar as pautas que são propostas por eles. O nosso desafio também é fazer com que as pessoas compreendam que as crianças já fazem parte da construção do futuro desde agora”, explica.


Ainda segundo Janaína, desde a fundação do MST, há 33 anos, os Sem Terrinha sempre estiveram presentes na luta do Movimento Sem Terra pela Reforma Agrária Popular. “A nossa luta é protagonizada por famílias inteiras, por homens, mulheres, jovens e crianças”.


Ela conta que as primeiras experiências de construção de espaços que acolhessem o público infantil ocorreram na década de 90, em cooperativas no Ceará. Com o tempo, explica a educadora, o MST foi percebendo a necessidade de criar espaços educativos que pudessem cuidar das crianças enquanto os seus pais, principalmente as mães, atuavam nas instâncias políticas e produtivas do movimento, garantindo assim o direito da participação das mulheres nos mais diversos espaços.


Para a mãe de Daniel, Fernanda Matheus, 39 anos, a Ciranda Infantil é fundamental para que ela, assim como outras mães e pais assentados e acampados, possam realizar tranquilamente suas tarefas junto às delegações de 23 estados e do Distrito Federal, durante a 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária. “Enquanto estamos aqui trabalhando para garantir o sucesso do evento, nós não precisamos nos preocupar com as crianças, porque sabemos que elas estão sendo muito bem cuidadas e inseridas numa série de atividades educativas”, conclui.

 

*Editado por Leonardo Fernandes