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Por Comunicação do MST/CE
Fotos: Iris Pacheco

 

O dia 01/04 começou cedo no Assentamento Palmares, município de Crateús. A alvorada com fogos anunciou o começo do que seria um dia cheio de atividades comemorativas dos seis anos da Rádio Camponesa FM, uma experiência de comunicação construída por trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra.


O café da manhã comunitário, organizado por muitas mãos, reflete essa experiência coletiva. Alimentos diversos como bolo, frutas, leite, suco, biscoito e cuscuz, foram levados pela comunidade para a frente do estúdio da Rádio e ali socializados entre todos.

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Café da manhã comunitário.


Segundo Pedro Neto, assentado e dirigente nacional do MST no Ceará, a necessidade de enfrentar o monopólio da grande mídia e de construir uma comunicação oriunda da classe trabalhadora é o que impulsiona e alimenta experiências de comunicação como a Rádio Camponesa FM.


"Para os camponeses Sem Terra a comunicação é um componente importante na luta pela terra e pela Reforma Agrária Popular. Ao longo dos anos alguns processos de comunicação ajudaram na formação e organização interna, mas também tem sido instrumentos fundamentais no embate da luta de classes e disputa ideológica na sociedade", afirma.


A experiência da Camponesa FM é um exemplo de como a comunicação quando feita pelo povo e para o povo ela se torna um instrumento de sociabilidade comunitária, de diálogo político direto com outros setores locais da sociedade, ao mesmo tempo que enfrenta o monopólio midiático e contribui para democratizar a mídia.


Uma história em construção


No dia 01 de abril 2011, entra no ar na frequência 95,7 a Rádio Camponesa FM, a rádio da classe trabalhadora cearense de Crateús e região. Hoje também transmitida pela internet (Ouça a Rádio Camponesa FM na Web).


A iniciativa do MST na construção desse instrumento de comunicação para a classe trabalhadora faz parte da luta pela democratização e participação social da comunicação como direito do povo brasileiro.


A ousadia dos camponeses comunicadores do Assentamento Palmares, que além da foice e do machado, tem se desafiado a se apropriar dessa ferramenta historicamente negada à classe trabalhadora, é o que reforça a importância da capacidade organizativa e firmeza ideológica coletiva na condução de um processo como este.


Para Francisquinha Rodrigues, assentada e comunicadora popular, falar da Rádio Camponesa é o mesmo que falar da organização de uma ocupação de terra, da luta por educação, saúde, cultura e lazer. Ou seja, é um importante instrumento de propaganda política ideológica e, como tal, deve estar inserido na estratégia da organização.


"É através dela que divulgamos nossas ideias. Ao longo da nossa existência vimos nascer e crescer rádios e televisão distantes dos trabalhadores e das trabalhadoras rurais, o que a gente achava impossível ocupar. Hoje a Rádio Camponesa veio quebrar essa distância. Por isso, nos sentimos donos desta história e nos apropriamos do conhecimento de 'fazer rádio', para o crescimento da Camponesa e da comunicação popular", afirma.

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Programação contou com práticas esportivas e festa.


Neste ano, a programação comemorativa, além do futebol, envolveu mais uma modalidade esportiva, o atletismo. A pista de corrida? A estrada de terra que liga a agrovila de uma ponta a outra.


As três categorias da modalidade envolveu crianças, jovens/adultos e a terceira idade, sendo os concorrentes finalistas premiados em primeiro, segundo e terceiro lugar. Além dos assentados também houve a participação de atletas profissionais de atletismo de Sucesso e Tamboril, municípios vizinhos.


Após a corrida, uma pausa para o almoço na casa dos assentados, pois pela tarde teria o torneio de futebol com equipes convidadas de outras localidades.



A roda de atividades finalizou de noite com a entrega dos prêmios para os finalistas do atletismo e do torneio de futebol. Também houve o lançamento do documentário Rádio Camponesa: Ocupando o latifúndio do ar (assista acima). Tudo terminou com uma grande festa à moda nordestina, com muito forró para a comunidade e região.

 

 

*Editado por Rafael Soriano