Da Página do MST 


Nesta segunda (20), o MST divulgou uma nota de apoio e solidariedade ao Presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação do Mato Grosso do Sul (FETEMS), Roberto Magno Botareli Cesar e a sua militância no estado, diante dos ataques realizados no último dia 15 de março pelo Deputado Federal Elizeu Dionizio (PSDB-MS).


“Roberto Botareli é um militante com uma história pública intocável, quadro fundamental da luta social e de grande valia em um momento tão difícil da democracia”, afirma trecho da nota. 


Na última quarta-feira (15), durante a Greve Geral contra a Reforma da Previdência, que em Campo Grande levou mais de 20 mil pessoas as ruas, o Deputado Federal usou o microfone da Câmara Federal para atacar a mobilização e o presidente da FETEMS. 


“Tanto a FETEMS quanto a ACP são entidades históricas no Mato Grosso do Sul, presentes em importantes momentos políticos do estado, sempre ao lado da classe trabalhadora, na defesa incansável de seus direitos” salienta. 


Confira o texto na íntegra: 


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a publico prestar apoio e solidariedade ao Presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul, Roberto Magno Botareli Cesar, e a todos os trabalhadores e trabalhadoras da categoria face aos ataques realizados pelo Deputado Federal Elizeu Dionizio (PSDB-MS) em discurso realizado na Câmara Federal no dia 15 de março deste ano. 


No dia 15, mais de 20 mil pessoas foram às ruas de Campo Grande, em uma Greve Geral Nacional, denunciando os ataques do governo ilegítimo de Michel Temer à Previdência e as demais retiradas de direitos, realizados com apoio dos tucanos. A mobilização contou com a adesão de diversos segmentos da sociedade, além do apoio da maioria da classe trabalhadora, que não aceita tamanha ofensa. Se sentindo pressionado, Elizeu Dionizio usou o microfone da Câmara para atacar o movimento e Botareli. 


Durante a fala, o deputado afirmou que a FETEMS e a ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública) não representam os trabalhadores e trabalhadoras do estado de Mato Grosso do Sul, além de, segundo Dionizio, a mobilização que ocorreu não cidade não conseguirá mudar a opinião dos deputados. Referente ao Presidente da FETEMS, o deputado, que na verdade é suplente de Márcio Monteiro (PSDB), foi ainda mais longe: Elizeu acusou Botareli de suposta agressão a uma mulher (com nome não mencionado). 


Apesar de ser formado em Direito – Elizeu, em sua página no site da Câmara (http://migre.me/whiX4), afirma ser advogado, mas possui apenas registro de estagiário na OAB –, o deputado se esquece de que pode acusar alguém de crime, desde que haja prova para isto. Dionizio parece não lembrar que acusar publicamente alguém de um crime que não cometeu configura-se como calúnia, previsto no artigo 138 do Código Penal Brasileiro. 


É de se estranhar que um represente do povo afirme, dentro da Câmara dos Deputados, que uma mobilização popular não tem condições de alterar a opinião de um parlamentar. É necessário lembrar ao deputado que o motivo principal dele estar no parlamento é para, justamente, se atentar a voz do povo e atuar conforme ela. Dar as costas para a população, deixando de escutá-la, atuando de acordo com opiniões estritamente pessoais, não condiz com o Estado Democrático de Direito, assunto este que qualquer bom estudante de Direito saberia. 


Tanto a FETEMS quanto a ACP são entidades históricas no Mato Grosso do Sul, presentes em importantes momentos políticos do estado, sempre ao lado da classe trabalhadora, na defesa incansável de seus direitos. Dizer que estas não representam os trabalhadores e trabalhadoras demonstra, no mínimo, uma falta de conhecimento da histórica luta destas categorias. Em nossa opinião, quem não representa trabalhadores e trabalhadoras e não tem condição moral para tal são deputados que se aproveitam da fé de homens e mulheres para angariar votos em favorecimento individual. 


Roberto Botareli é um militante com uma história pública intocável, quadro fundamental da luta social e de grande valia em um momento tão difícil da democracia, que está sendo sequestrada pelo capital, com apoio de partidos como o PSDB. Possui total legitimidade para falar em nome da classe trabalhadora, pois sua trajetória demonstra isto, ao contrário de alguns deputados que estão em Brasília. 


O MST reafirma seu comprometimento de lutar ao lado de professores e professoras, além de toda a classe trabalhadora contra a reforma da Previdência e todo e qualquer tipo de ataque a direitos conquistados com sangue e suor por este povo explorado pelo capital. Conforme afirma o Papa Francisco, verdadeiro líder religioso, lutaremos até não haver mais “nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”. 


Coordenação Estadual do MST-MS
Campo Grande, 20 de março de 2017