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Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia
Da Página do MST

 

Cerca de mil trabalhadoras Sem Terra deixaram a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na noite dessa quarta-feira (15) , que estava ocupada desde a segunda-feira (6). 


Foram dez dias de lutas na capital baiana para denunciar as medidas do governo Temer, em especial a reforma da Previdência que tramita no Congresso Nacional, e que deve ser votada em abril. Além disso, as mulheres camponesas ocuparam as ruas contra o agronegócio, o modelo de exploração do Capital e em defesa da Reforma Agrária Popular.


Gritos de ordem, faixas, cartazes e muita agitação e propaganda deram o tom às atividades, que conseguiram reunir os elementos da mística e da formação ao processo de mobilização. As ações fizeram parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra, que no mês de março mobilizou cerca de 40 mil trabalhadoras em todo o Brasil. Na Bahia, cerca de 3 mil mulheres do MST estiveram em luta.


“Nós, enquanto mulheres Sem Terra, nesse período de Jornada de Lutas, conseguimos dizer não ao Capital, ao agronegócio e ao patriarcado. Impulsionando nossas mobilizações com muita animação e unidade com as trabalhadoras das águas, florestas e da cidade”, explicou Flávia Vieira, do Setor de Gênero do MST.


Flávia destacou ainda que a próxima tarefa de cada mulher, presente na Jornada, é voltar aos assentamentos e acampamentos para serem multiplicadoras da luta. Segundo ela, o mês de março foi a primeira grande mobilização no estado da Bahia e é uma mostra de como serão as próximas lutas. “Para isso, cada mulher precisa ser a porta-voz da luta popular”, enfatizou.


Negociações


Para Elizabeth Rocha, da Direção Nacional do MST, as mulheres tiveram um bom resultado na negociação com o Incra durante a Jornada, mas muitas questões ainda demoram muito para serem resolvidas. “Do ponto de vista prático, de nossas conquistas, foi possível dar encaminhamento a diversos ‘gargalos’. Nesta Jornada, conseguimos garantir a vistoria de todas as áreas que demandamos e para 2017, 30 serão as prioridades”.


Rocha afirmou também que serão construídos os mecanismos necessários para a liberação do Fomento Mulher e os convênios, para garantir o desenvolvimento dos assentamentos.


Por outro lado, a pauta com o Governo do Estado caminha a passos lentos. Durante a Jornada, foi entregue ao governo da Bahia uma pauta de reivindicações construída pelo movimento desde 2015 e repactuada em 2016, e sobre a qual, até o momento, pouco se avançou. O desenvolvimento dos assentamentos no campo da educação, saúde e os investimentos em infraestrutura foram os principais pontos.


Apenas no campo da mecanização agrícola, onde existe um déficit referente as demandas dos anos anteriores, foram apontados encaminhamentos. O governo estadual se comprometeu a entregar os tratores referentes às demandas de 2015 e 2016, em um cronograma que deve finalizar ainda em 2017.


Em abril terá mais luta


Para a direção do MST na Bahia, a Jornada das Mulheres Sem Terra preparou o cenário estadual para o “Abril Vermelho” e contribuiu no fortalecimento do diálogo com a sociedade e na construção da Reforma Agrária Popular.


O MST acredita que uma sociedade justa, fraterna e igualitária só poderá ser viabilizada com o povo nas ruas, na unidade contra as investidas antipopulares do governo ilegítimo de Michel Temer e se levantando contra as desigualdades sociais.

 

*Editado por Leonardo Fernandes