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Por Jailma Lopes
Da Página do MST 


Nos dias 04 e 05 de março, o Fórum Potiguar de Comunicação realizou o Encontro de Comunicação Popular, no Centro de Formação Patativa do Assararé, Rio Grande do Norte. O espaço contou com a participação de movimentos populares, como o MST e a  Marcha Mundial de Mulheres, além de professores, pesquisadores e militantes que atuam na luta pelo direito à comunicação.


O encontro surge partir da necessidade de construir um processo de formação e comunicação popular dos movimentos, apontada pelos Setores de Comunicação e Cultura do MST, diante do desafio da esquerda de se reinventar para construir um amplo processo de trabalho de base e massificação das lutas. Considerando que a prioridade do Fórum é a de reaproximação dos movimentos populares para o fortalecimento da luta pela democratização da comunicação. 


“A construção desse processo de formação é uma oportunidade de ver se materializar o direito à comunicação na voz dos comunicadores populares. Isso é fundamental em um momento de ameaças à democracia, quando temos que nos fortalecer e levantar à voz contra as violações e afirmar nossos direitos”, destacou Iano Flávio Maia, do Coletivo Intervozes. 

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Com muita mística, expressões de artísticas e culturais, a retomada do legado do Centenário da Revolução Russa e a simbologia do mês de luta das mulheres, o encontro fortaleceu a unidade e solidariedade entre os movimentos e participantes , apresentando vários elementos para pensar uma nova cultura política. 


Para a professora Aline Lucena, do Departamento de Comunicação da UFRN, o debate "foi uma experiência de comunicação e diálogo com homens e mulheres que desejam a ‘pronúncia do mundo’ de homens e mulheres que lutam politicamente, esteticamente e eticamente contra a exploração e opressão do capital".


Além de fazer a análise da conjuntura política e midiática, de debater o direito humano à comunicação e socialização das experiências dos movimentos sociais e da academia, o encontro firmou a realização de grupos de trabalhos, na tarefa de discutir fundamentos para formação de comunicadoras e comunicadores populares, através de Projeto de Extensão pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). 


Durante diversos debates os participantes apontaram a necessidade de, no conjunto da esquerda, as linguagens da comunicação e da cultura serem tratadas como centralidade nas suas ações, seja para conspirar, dialogar ou desenvolver trabalho de base e formação política com a classe trabalhadora. 


Unidade na luta pela comunicação


“Na América Latina temos uma mídia tão concentrada, quanto a terra. Inclusive, muitos donos das terras, são os donos da mídia. Por isso, assim como homens e mulheres precisam se organizar em luta por Reforma Agrária para democratizar a terra, a luta pela democratização da comunicação tem que ser também uma luta de homens e mulheres, para fazer reforma agrária na mídia”, aponta Lucena. 


Já o Coletivo de Comunicação e Cultura do MST no RN, avalia que a luta pela democratização da mídia, não pode ser apenas dos setores que trabalham com a comunicação, mas do conjunto da classe e deve ser uma pauta central e transversal a todas as lutas. “Não basta apenas, construir formas e instrumentos alternativos de comunicação, nosso desafio é impulsionar e fortalecer processos de luta pela democratização da comunicação”, salientam. 


O debate dos participantes suscitou muitos elementos de autocrítica para a comunicação popular, seja à medida que se reproduz a forma estética de produção dos meios de comunicação hegemônico, seja em posturas de defensivas, ou ainda, pela deficiência de domínio da técnica.


“Aprofundamos debates que os movimentos já vinham fazendo internamente e nos deparamos com novas problemáticas e desafios”, afirma Isadora Morena, militante da Marcha Mundial de Mulheres.

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Desafios


Ainda de acordo com Isadora, “o encontro nos deu muita disposição e inspiração pra uma formação contínua em comunicação, já que desde o princípio vem sendo pensado junto aos movimentos, respeitando suas dinâmicas, acúmulos e saberes. A proposta nos parece o diálogo e não a atividade extensionista, tão comum na academia”, afirma.


“Nossos próximos passos nos desafiam a pensar a comunicação como um processo e um princípio, como elemento essencial para a transformação social. Não só um instrumento para o diálogo entre o povo e dos movimentos com suas bases, mas uma nova forma de pensar nossa relação com os saberes e com as pessoas. É um desafio também levar a reflexão a outras organizações da esquerda a importância do debate da comunicação, percebê-la como um direito e que a radicalização da democracia só é possível com a democratização dos meios de comunicação”, conclui Morena.


Fórum Potiguar de Comunicação – Poticom


O Fórum Potiguar de Comunicação tem uma história no Rio Grande do Norte, que antecede 2009. De acordo com Iano Flávio Maia, do Intervozes, o Fórum tem sua origem quando vários grupos se organizaram para preparar a primeira Conferência Nacional de Comunicação.


“Naquele momento, várias entidades sindicais, organizações estudantis e grupos que lidam com o direito à comunicação atuaram para organizar a etapa estadual e enviar delegados para a Conferência Nacional. Todavia, o grupo se desarticulou e se rearticulou várias vezes. Um dos momentos de retomada foi promovido graças às movimentações de professoras, professores e estudantes da UFRN. Desde então, o grupo girou muito em torno da universidade e tem tido pouca participação de movimentos. Em 2014 a gente fundou oficialmente o Comitê Potiguar pela Democratização da Comunicação, que é a representação estadual do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Mas, a partir do ano passado, a gente focou em se reaproximar dos movimentos sociais e que bom que está dando certo”, concluiu Iano. 


*Editado por Iris Pacheco