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Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia


Após oito dias de ocupação e resistência na cidade do Prado, no extremo Sul baiano, a prefeita Mayra Brito (PP) recebeu, nesta última segunda-feira (13), o MST para dialogar sobre uma pauta de reivindicação que prioriza o acesso da juventude Sem Terra a uma educação do campo de qualidade.


Nesse período de luta, o MST levou um despejo emitido pelo poder judiciário local, solicitado pela prefeita. Porém, os trabalhadores não saíram da cidade. Montaram um acampamento na Praça de alimentação,- um dos pontos turísticos da localidade-, e realizaram diversas intervenções junto a sociedade.


A ocupação teve início com 500 trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra, em sua grande maioria jovens, onde foi intensificado as denúncias diante do processo de negligência da pauta realizado pela gestão pública.


Durante uma assembleia, que propôs reorganizar a luta, Evanildo Costa, da direção nacional do MST, disse que havia a necessidade de pressionar e dialogar com a cidade sobre a Reforma Agrária Popular e a importância da educação do campo como um direito.

Por outro lado e ao destacar o processo de construção da luta com a protagonismo da juventude, Valquíria de Jesus, da direção estadual, apontou que o Movimento ao ser recebido pela prefeita conseguiu fortalecer a luta e mostra para a juventude das áreas que precisam permanecer lutando por melhores condições de ensino.


“Estamos em luta para defender todas as dimensões do direito à vida, e quando se trata de direitos da classe trabalhadora esses jovens não terão problema algum de estar engajados e organizados”, afirmou Jesus.

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Entenda o caso

No dia 06/02 a Juventude Sem Terra realizou uma grande mobilização pelo direito de estudar, pois as aulas no município haviam começado e, por outro lado, nas escolas do campo não tinha previsão. Além disso, o Prado teve três escolas fechadas, outras que precisam ser construídas, e em sua grande maioria, não possui carteiras e merenda.


Para o MST, o descaso chega a ser tão grande, que nas escolas que foram construídas com recursos das famílias assentadas e acampadas a prefeita não teve a capacidade de contratar educadores e formalizar o processo educativo.


Diante disso, a construção de um diálogo era emergencial, porém a prefeita não atendeu os trabalhadores e deixou o recado que só poderia recebê-los após o carnaval. Ao saber do caso, o governador da Bahia Rui Costa (PT), que estava cumprindo uma agenda em Alcobaça,- cidade vizinha-, garantiu que se reuniria com a prefeita e que também enviaria um representante do governo para acompanhar as negociações.


A luta continua


De acordo com Kelly Santos, uma jovem estudante Sem Terra, a luta por uma educação que dignifica o homem e a mulher deve ser permanente. “Tive a chance de ocupar, resistir, denunciar e aprender na prática que o futuro é construído pelas nossas mãos”.


“Acredito que nossa próxima tarefa é continuar cobrando um retorno e se não houver, precisamos reorganizar a luta e protagoniza-la”, concluiu.