WhatsApp Image 2017-01-21 at 22.30.53.jpeg

 

Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia


A educação é uma arma poderosa que pode mudar o mundo e é a partir desse princípio, que a luta popular se fortalece em contraposição ao modelo de exploração da classe trabalhadora pelo capital.


Neste sentido, mais de 500 Sem Terra, educadores e educadoras do campo, autoridades políticas e amigos do MST, realizaram nesta última sexta-feira (20) uma grande aula inaugural do projeto de alfabetização de jovens e adultos “Sim, Eu Posso”, no Assentamento Margarida Alves, em Itabela, no Extremo Sul da Bahia.


O método proposto com o projeto é inspirado no processo de erradicação do analfabetismo realizado em Cuba, pós revolução, e se organiza a partir de teleaulas mediadas por um educador que auxiliará. Acredita-se que em apenas três meses os participantes aprendam a ler e escrever. 


Este  ano, o projeto pretende atender 317 trabalhadores e trabalhadoras Sem  Terra, distribuídos em 30 turmas de 11 assentamentos de Reforma Agrária,  localizados nas brigadas Chê e Elias. Estima-se ainda, que até meados  do mês de abril será realizada a formatura desses trabalhadores.


O analfabetismo é um processo histórico


De  acordo a Cristiana Vargas, da coordenação nacional do MST, o fenômeno  do analfabetismo é parte de um processo histórico de mais de cinco  séculos, construído a partir da exploração e opressão que a classe  trabalhadora vivencia em nosso país. 


“Os números são alarmantes. Mais de 13 milhões de analfabetos no campo e na cidade, em um país que gera milhões em riqueza, e as autoridades não falam em analfabetismo, tentam invisibilizar ou maquiar o fenômeno”.


“Nos governos burgueses inexistem políticas públicas capazes de atender a população analfabeta e elimina isso do processo histórico. Há um desinteresse maior quando se trata do trabalhador do campo”, explicou Vargas.

WhatsApp Image 2017-01-21 at 22.30.50.jpeg

Brigada Nacional de Alfabetização


O  método será acompanhado pela brigada Nacional de Alfabetização que está  composta com 12 educadores do campo, provenientes de três estados do  nordeste,- Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte-, que acompanharam  todo o processo de formação e alfabetização.


A  brigada nacional foi criada com o objetivo de formar educadores  populares para atuarem em seus respectivos estados numa campanha que  pretende zerar o analfabetismo em todas as áreas do MST.


Assentamento agroecológicos


O  projeto de alfabetização é vinculado a um amplo processo de formação e  construção de Assentamentos Agroecológicos, que vem desenvolvendo ações  em sete áreas do MST no extremo sul do estado. 


Foi pensando nisto, que Eliane Oliveira, do coletivo de educação estadual do Movimento, afirmou que o método foi doado por Cuba e ele busca garantir qualidade de vida, conhecimento e bem estar.


Para Paulo César, da direção estadual do MST, o método cubano vem para fortalecer a construção da agroecologia. “O ‘Sim, Eu Posso’ está inserido no projeto de Assentamentos Agroecológicos. Porque entendemos que não se pode desassociar ou desvincular essas duas dimensões da formação humana”.


“A agroecologia é um estilo de vida e sua construção dialética se da com a erradicação do analfabetismo”, concluiu César. 


Participação


A  solenidade contou com a presença da secretária de educação de Itabela  Cristiane Coelho, da diretora do campo de Itabela Erlandia, João  Dagoberto representante da Escola Superior de Agricultura Luiz de  Queiros (ESALQ – USP) e da coordenação do NACEPETECA.