Da Página do MST

 

Após momentos de desespero devido à repressão da polícia ao protesto organizado nesta terça-feira (29) em Brasília contra a a PEC dos gastos públicos, o saldo foi de perdas, desaparecimentos, indignação e, distante completamente da vontade popular, a aprovação pelo Senado em primeiro turno ao final do dia, com 55 votos a favor, do congelamento por vinte anos dos orçamentos de saúde, educação e outras áreas essenciais.


Segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE), 21 pessoas foram detidas durante os protestos, mas liberadas em seguida. Um militante, contudo, continua preso. É o estudante de Gestão Ambiental Bruno Leandro de Oliveira Maciel, do campus Planaltina da Universidade de Brasília (UnB), 36 anos e acampado da Reforma Agrária no Acampamento Roseli Nunes.


Bruno, que é coordenador regional do MST, teve negados direitos básicos, como acesso a advogado e possibilidade de ligação após ser detido. Somente no final da manhã desta quarta-feira (30), o Setor de Direitos Humanos do MST no Distrito Federal e Entorno pôde ter acesso ao militante, que denuncia ter sido encapuzado e torturado.

 

O Movimento emitiu nota, que pode ser lida na íntegra abaixo:


NOTA DO MST-DFE SOBRE PRISÃO DO COMPANHEIRO BRUNO MACIEL


O único manifestante que participou do protesto contra a PEC 55, realizado na tarde de terça-feira (29/11), que continua preso é Bruno Leandro de Oliveira Maciel, coordenador regional do MST-DFE.


Bruno sofre a acusação de "incitação à violência" e de ter se recusado a assinar o TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência).


O setor de Direitos Humanos do MST teve acesso a Bruno na sede do DPE (Departamento de Polícia Especializada) apenas no final da manhã desta quarta-feira.


Ele disse que foi detido quando retirava algumas pessoas machucadas do meio da confusão, que começou com o aparato repressivo passou a jogar bombas contra os manifestantes.


Capturado pela Polícia Legislativa do Senado, ele relatou que foi encapuzado, levado para algum lugar que não sabe onde, agredido fisicamente e psicologicamente. Afirmou também que não se recusou a assinar o TCO, até mesmo, porque a polícia não pediu para que assinasse.


O militante Bruno declarou que o capuz só foi retirado quando chegou à sala da Polícia Legislativa do Senado. Ele não  teve o direito de fazer uma ligação e chamar um advogado, logo depois foi transferido para o DPE, do governo distrital.


Diante desse quadro de arbitrariedade, uma comissão formada pelo bispo da CNBB Dom Leonardo, representantes de movimentos populares, entidades de direitos humanos, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz e parlamentares federais e distritais vai ao DPE visitar o Bruno às 16h. Já a audiência de custódia, que definirá se o militante ficará solto ou preso, está marcada para as 19h30.


Repudiamos a prisão do militante da Reforma Agrária Bruno, a violência do aparato policial contra a manifestação contra a PEC 55, a operação de guerra montada pela parceria PMDF/Polícia Legislativa/Ministério da Justiça e a escalada repressiva que avança no nosso país contra a luta popular.


COORDENAÇÃO ESTADUAL DO MST-DFE

 

 

*Editado por Rafael Soriano