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Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia


Jovens militantes de dez regiões do estado da Bahia, que atuam no Coletivo de Juventude e Comunicação do MST, se reuniram entre os dias 17 e 20, no Centro de Treinamento da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDR), em Salvador, para discutirem os avanços e desafios encontrados no processo de construção da Reforma Agrária Popular com o atual cenário de golpe vivido no Brasil.


Foram quatro dias de estudo e debates mediados por canções, poesias e gritos de ordem que contribuíram com o objetivo de impulsionar a luta protagonizada pela juventude e fortalecer a organização política nos assentamentos e acampamentos espalhados por todo estado.


Elizabeth Rocha, da direção nacional do MST, afirmou que o processo de organização é de extrema importância para avançar no processo de luta e, para isso, alguns desafios precisam ser colocados nas mãos destes sujeitos.


“A história do nosso movimento nos ensina muitas questões importantes que não podem serem perdidas de vista. E a prática dos nossos princípios é fundamental para continuarmos construindo um método organizativo que proponha qualificar os coletivos”, explicou Rocha.

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Discussões


Alguns temas se destacaram nos debates, dentre eles, “Agitação e Propaganda” e a “Comunicação Popular”. Vinculados ao amplo processo da conjuntura política brasileira, ambos os temas foram colocados na centralidade como instrumentos norteadores das lutas em defesa da terra, de um projeto popular e contra as manobras políticas que estão retiram os direitos da classe trabalhadora.


De acordo com Sebastião Lopes, do Coletivo de Comunicação, muitos desafios estão colocados para Juventude Sem Terra e um deles é estar à frente das lutas sem retroceder um passo sequer.


“Historicamente as lutas contra o latifúndio tem nos ensinado a caminhar de mão dadas com o projeto de sociedade que queremos construir. Colocando na prática valores que respeitem o outro em sua individualidade sem perder de vista a identidade coletiva, a identidade de classe”.


“Esse é o momento de fortalecermos nossas lutas apontando a Reforma Agrária Popular como um instrumento de transformação coletivo”, destacou.


Nesse sentido, Karla Oliveira, do Coletivo de Juventude, acredita que tudo passa pela organização e formação permanente da juventude. “Temos alguns desafios pela frente e, mais uma vez, precisamos entender que nossa ‘práxis’ política precisa dialogar diretamente com o projeto de sociedade que queremos construir”.


“Quando estudamos agitação temos clareza da tarefa que nos cabe neste atual cenário político em torno da unidade de classe, tendo as ruas como campo de luta. Por outro lado, a propaganda nos coloca o desafio de avançar no diálogo, através das mídias, das marchas. Não podemos ficar inertes”, pontuou Oliveira.


Unidade e luta


A partir das discussões a juventude apontou dois grandes desafios. O primeiro se encontra no campo da unidade de classe e o segundo no campo da luta popular, tendo como instrumentos a arte, o enfrentamento aos monopólios de comunicação e a ocupação de terra.


Ao final dos estudos, com mística e animação, alguns compromissos assumidos durante o encontro deram o tom para que os debates fossem ampliados e reproduzidos nas respectivas regiões onde cada jovem atua.