Por Gustavo Marinho 
Da Página do MST 

 

Na manhã desta terça-feira (22), trabalhadores e trabalhadoras rurais realizaram duas grandes ações na luta pela terra em Alagoas. Na Zona da Mata Alagoana, no município de Atalaia, diversas famílias Sem Terra reocuparam a antiga Fazenda São Sebastião, onde mais de 70 famílias foram despejadas na área conhecida como Acampamento São José.


“Reocupamos a Fazenda São Sebastião, pois aqui nessas terras corre sangue de Sem Terra assassinado pelo latifúndio”, destacou a direção do MST na região. A área conhecida por ser uma das áreas mais emblemáticas de conflito de terra no estado, já foi palco de vários despejos e até de assassinato de lideranças Sem Terra como em 2005, do líder Sem Terra Jaelson Melquíades, que foi assassinado numa emboscada armada por pistoleiros a mando de fazendeiros. "No próximo dia 29 completam-se 11 anos do assassinato de Jaelson e essa ocupação é mais uma ação para cobrar dos governos e do Poder Judiciário a real e imediata punição dos envolvidos em sua morte."


“Essa reocupação é para fazer valer o sangue dos companheiros que tombaram na luta pela terra nessa região. Seguiremos em luta até a conquista dessa área para o assentamento das famílias Sem Terra”, disse a direção do Movimento.


Os Sem Terra denunciam também o descumprimento do acordo judicial após o último despejo, quando os antigos proprietários instalaram guaritas e homens armados para intimidar os camponeses e camponesas.


“Há ainda um processo no Tribunal de Justiça de Alagoas, onde o Ministério Público Federal do Trabalho reivindica o cancelamento do usucapião para que a área seja destina ao pagamento dos trabalhadores da Usina Ouricuri”. Segundo a direção do MST, a área foi dada pela justiça de Atalaia a um arrendatário da antiga Usina Ouricuri. 


As famílias já começam a reerguer os barracos e reorganizando o Acampamento São José.


Ocupação no Agreste


Ainda na manhã desta terça (22), cerca de 250 famílias ocuparam a Fazenda Laranjeira, no município de Penedo, no Agreste de Alagoas, onde já começam a montar seus barracos de lona preta, reivindicando a terra para o assentamento dos trabalhadores e trabalhadoras rurais da região.


 “Mais um latifúndio ocupado em Alagoas, na demonstração de que os Sem Terra seguem resistindo e lutando para que a Reforma Agrária seja feita em nosso país”, reforça a direção.