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Participantes da oficina de tecnologia em frente ao telecentro recém inaugurado.
Foto: Solange Engelmann


Por Solange Engelmann
Da Página do MST


A formação técnica e política na área da comunicação e cultura, aliada ao acesso às tecnologias digitais gera novas possibilidades de conhecimento e organização para os jovens dos acampamentos e assentamentos de reforma agrária na região Sul do país. Nessa perspectiva, no ultimo sábado (29), ocorreu à inauguração do Telecentro Roça Nova, no Assentamento de mesmo nome, em Candiota, na região Sudeste do Rio Grande do Sul.


O telecentro faz parte do Projeto de Olho na Terra, desenvolvido em parceria entre o MST, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Ministério das Comunicações. O projeto é resultado da luta do MST e atualmente atinge mais de mil jovens do campo na região Sul do país. A juventude Sem Terra tem acesso a oficinas de formação na área de informática, rádio, audiovisual, comunicação popular, indústria cultural, entre outras.


O educando Alex Santos, que mora no assentamento e participou das oficinas, explica que o MST tem grande preocupação com a formação dos jovens, tanto na área técnica quanto em cursos superiores. “Além de oferecer um conjunto de cursos, sem nenhum custo pra nós, o Movimento também nós forma seres humanos capacitados para entender o funcionamento da sociedade”, relata.


A coordenada do projeto pela UFSC, Aline Korosue, conta que um dos principais avanços do projeto é perceber a qualificação na participação e organização da juventude do MST. “O maior ganho é ver a juventude à frente dos processos de luta e nos debates, assumindo um protagonismo mais qualificado”.


Integrado ao Centro de Educação Popular e Pesquisa em Agroecologia (Ceppa), no Assentamento Roça Nova, somente na região o projeto atinge mais de 56 assentamentos, nos municípios de Hulha Negra, Aceguá e Candiota. No RS o projeto envolve mais de 250 jovens dos assentamentos e acampamentos.


Para a coordenadora do projeto no Ceppa, Marciane Fischer, o projeto cria novos horizontes em relação às tecnologias da informação e comunicação e o empoderamento da juventude do campo, na inclusão digital e na área da comunicação e cultura.
 

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O acesso à informação também é ferramenta de luta.
Foto: Solange Engelmann


“Não tínhamos acesso a essas tecnologias e à internet no assentamento. Foi lindo ver os jovens conhecendo como operar uma máquina fotográfica e filmadora, e as várias possibilidades que hoje a internet nos oferece. Podemos divulgar nosso trabalho no assentamento, na escola e as atividades que ocorrem no interior, distante da cidade”, comemora Marciane.


Para ela, o telecentro também será fundamental para a continuidade na formação da juventude do campo e o envolvimento dos jovens pobres da periferia através de parcerias com a prefeitura de Candiota. Além de fortalecer a Rádio Terra Livre de Hulha Negra, que este ano completa 20 anos.


O prefeito de Candiota, eleito nas eleições municipais deste ano, Adriano Santos (PT), ressaltou o papel central do MST no município e colocou a prefeitura à disposição para a criação das políticas públicas para o campo e as condições para o acesso ao conhecimento a e formação dos jovens nos assentamentos.


*Editado por Iris Pacheco