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Da Página do MST


Estudantes das áreas de assentamento da Reforma Agrária ocuparam três instituições de ensino na última segunda-feira (24) no município de Abelardo Luz (SC). Os educandos protestam contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que congela os gastos públicos por 20 anos, e a Medida Provisória (MP) 746, que reestrutura e flexibiliza o ensino médio no país.


Os alunos ocuparam as escolas Paulo Freire, do Assentamento José Maria, Semente da Conquista, do Assentamento 25 de Maio e o Instituto Federal Catarinense (IFC), no Assentamento José Maria.


“Não vamos aceitar uma escola que não tenha ligação com a vida, eles não querem que pensemos,” disse o estudante do 1 ano da escola Semente da Conquista, Renan de Biasi.


A luta dos estudantes soma-se às mais de mil escolas pelo país em 19 estados. Durante estes dias, os educandos estão estudando as consequências da PEC 241 e da MP 746 à educação brasileira, paralelo à oficinas de música, produção de materiais e aulões autogestionados pelos educandos em parceria com educadores.


Os educandos também mantêm um diálogo com a comunidade ao redor das escolas, incentivando com que outras escolas se somem às mobilizações. Na última segunda-feira (24), os alunos realizaram uma assembleia com as famílias assentadas, pais, professores e comunidade para debaterem estas questões.


“Até agora eles vem debatendo temas conjunturais e buscando alternativa de luta, o debate que se segue é que tipo de escola queremos. É preciso discutir e construir na prática um novo jeito de educar. A nova escola precisa ter ligação direta com a vida, precisa abarcar os nossos sonhos de uma educação que liberte e não escravize”, disse Bruna Boni Lavratti, do coletivo estadual da Juventude Sem Terra.


Nesta terça-feira (25), parte dos estudantes seguiram com cartazes, faixas e batucada para a escola urbana Anacleto Damiani, na perspectiva de dialogar com as escolas da cidade convidando-as a se somarem à luta.


Segundo Lavratti, a decisão dos estudantes após a aprovação da PEC 241 na Câmara dos Deputados nesta terça é de resistir na ocupação, seguir mobilizados e construir processos de luta e debate com os demais setores da sociedade.