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Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia
Da Página do MST


O Assentamento Chico Mendes, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, foi palco de um amplo espaço de formação envolvendo o trabalho coletivo protagonizado pelos setores de juventude, comunicação e produção do MST.


As atividades aconteceram entre os dias 21 e 23/10 e contou com a participação de 85 trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra, organizados nos respectivos setores ou que atuam na coordenação dos acampamentos e assentamentos do Movimento nas brigadas Chê e Elias Gonçalves.


Com o objetivo de debater alguns temas que envolvem o dia a dia de cada setor, o espaço possibilitou uma maior atuação da militância em diversas frentes, visando o fortalecimento das lutas da classe trabalhadora no território.


Nesse sentido, o curso abordou temas como a história da luta pela terra, agroecologia e produção de alimentos saudáveis, influência da Mídia nas lutas populares, a organicidade do MST e as diversas formas de comercialização da produção agrícola.

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Mística de abertura do curso de formação.


Uelton Pires, da direção estadual, disse que a realização do curso foi resultado da avaliação dos trabalhadores que apontaram a necessidade de uma maior participação e a defesa da identidade da juventude Sem Terra.


“É de momentos de formação como esse que nós precisamos para fortalecermos nossa organicidade diante do atual cenário político que vive nosso país. Precisamos unir nossas forças para defender os direitos da classe trabalhadora que historicamente conquistamos”, afirmou Pires.


Agroecologia e alimentação saudável


Um dos temas trabalhados foi a construção da agroecologia com base na produção de alimentos saudáveis. Durante o debate, os Sem Terra realizaram uma crítica sobre a realidade sócio ambiental que vive atualmente a região e as consequências da “selvagem” exploração das transnacionais, com os monocultivos do eucalipto e criação de gado.

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Reflorestamento no Assentamento Chico Mendes.


Diante disso, a agroecologia foi reafirmada como modelo viável e capaz de reconstruir sócio, cultural e ambientalmente a região. Pensando nisto, e buscando conciliar teoria e prática, diversas atividades de campo foram realizadas, dentre elas, o reflorestamento de uma nascente que tinha sido desmatada pelos latifundiários para implantação de pasto para o gado.


Coronelismo da Mídia


Outro tema trabalhado pelos trabalhadores foi a construção de uma comunicação popular, feita pela e para a classe trabalhadora.


Wesley Lima, do setor de comunicação do Movimento, falou sobre a influência dos grandes meios de comunicação e as novas tecnologias da informação como instrumentos de controle social utilizados pela classe dominante.


“A luta pela Reforma Agrária Popular também perpassa pela luta da democratização dos meios de comunicação, pois para construir uma sociedade emancipada é necessário também romper com os monopólios e o poder hegemônico”, afirmou Lima.


Turma “Filhos da Terra”


Ao final das atividades foi criada a identidade da turma com o nome “Filhos da Terra”. Pensando nisto, diversos compromissos políticos nortearam a mística de encerramento, dentre eles, o de realizar mais duas etapas do curso com o objetivo de fortalecer a base e criar ferramentas de análise para compreensão do atual modelo político que se encontra o país.