Jiana Moro, da UFSC, falou sobre o projeto, que contempla cerca de 30 jovens da região Metropolitana de Porto Alegre..jpg


Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST


O acesso às tecnologias traz novas possibilidades de organização para jovens de assentamentos e acampamentos da região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Para celebrar essa conquista e com o objetivo de empoderá-los em relação à comunicação, foi inaugurado no último sábado (8) o Telecentro Sepé Tiaraju, no Assentamento Filhos de Sepé, em Viamão.


O telecentro faz parte do Projeto de Olho na Terra, que é desenvolvido numa parceria entre o MST, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Ministério das Comunicações. Ele é fruto da luta do Movimento e contempla hoje cerca de 30 jovens da região com diversas oficinas, como rádio, audiovisual, comunicação popular, indústria cultural, informática, entre outras.


“Nosso objetivo central é a formação e a organização da juventude Sem Terra, e a ferramenta principal para alcançá-lo tem sido o acesso às tecnologias. Os jovens do MST que participam do projeto têm contato com as tecnologias que os jovens da cidade têm. Agora eles podem contar as suas histórias, mostrar para a sociedade o que de fato é o Movimento e quem é a juventude Sem Terra”, explicou Jiana Tomaz Moro, do Laboratório de Educação do Campo e Estudos da Reforma Agrária da UFSC.

Assentados e acampados comemoram a conquista do telecentro..jpg


Desde 2011 o projeto contempla áreas de assentamentos. Resultado das ocupações do MST em Brasília, dois anos antes, que em sua pauta de reivindicações em Brasília, solicitou a construção de políticas públicas que garantissem acesso às tecnologias de comunicação. 


A primeira experiência foi realizada em Rio Negrinho, em Santa Catarina, se estendendo posteriormente para outras áreas de reforma agrária do estado, onde, até o momento, mais de 600 jovens receberam capacitação.


Atualmente, o projeto ainda atende a juventude do Paraná e do Rio Grande do Sul. No território gaúcho, o MST conta com telecentro em Candiota, na região da Campanha; e em Pontão, no Norte do estado.


Os frutos da conquista


Camila Frota, coordenadora estadual do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), participou do ato de inauguração e destacou a relevância do projeto para a permanência dos jovens no campo e para democratizar o acesso à comunicação.


“Sabemos que através do monopólio midiático as informações sobre o MST não chegam, e quando chegam estão distorcidas. Mas agora vocês têm a oportunidade de mostrar à sociedade, por meio das tecnologias, que a reforma agrária dá certo”, complementou.


Esse também foi o tom da fala da educanda Cristiane Muraro, contemplada com o projeto. Ela apresentou à comunidade a estrutura física do telecentro e reforçou a importância dessa conquista coletiva para a juventude assentada e acampada.

A educanda Cristiane Muraro apresentou o telecentro para a comunidade..jpg


“Este projeto marca o nosso empoderamento em relação à comunicação e aos seus meios. Para nós está sendo muito bom, porque temos acesso a muitas de informações e conhecimentos. Isso abre caminhos para fazermos o contraponto às mentiras que a mídia burguesa diz sobre o MST”, declarou.


Para Cedenir de Oliveira, dirigente estadual do Movimento, o projeto é fundamental porque ajudará a oxigenar o MST através da formação técnica e política dos jovens. Segundo ele, o intuito dos Sem Terra é construir uma juventude que reconheça o legado histórico do Movimento, mas que tenha capacidade de superá-lo, e o projeto tem auxiliado neste sentido.


“O telecentro e as oficinas fazem parte das nossas grandes conquistas, pois contribuem para a desalienação dos jovens e para elevar os seus níveis culturais e de conhecimento. Isso vai oxigenar o MST com outros elementos, para além da organização dos assentamentos, que a sociedade atual nos apresenta. Nossa expectativa, agora, é que essa conquista seja mais um instrumento aliado à organização da juventude Sem Terra e à transformação social”, completou Oliveira.


Ainda durante o ato de inauguração, seu Leonildo Zang resgatou as histórias de luta de muitas famílias Sem Terra para a criação do Assentamento Filhos de Sepé e para que hoje os jovens pudessem usufruir de uma vida mais digna no campo.


“A luta começa quando nós somos assentados, a conquista da terra é somente o primeiro passo. Aqui, onde inauguramos esse telecentro, era fazenda, só tinha umas cabeças de gado e muito veneno. Hoje nosso assentamento tem escola, é território livre de agrotóxicos e de transgênicos e nossas crianças têm a liberdade de brincar. Mas isso a grande mídia não vai mostrar, então a juventude Sem Terra deve usar essas tecnologias que conquistamos ao nosso favor”, incetivou Zang.


*Editado por Iris Pacheco