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Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia

 

Começa nesta quinta-feira (15) o 18º Encontro Estadual de Educadores e Educadoras do MST, que acontecerá no Centro de Treinamento da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), em Salvador.


Em entrevista, Jozenilza Alves Figueiredo (47), mais conhecida como Zena, que coordena o coletivo estadual de educação do Movimento fala dos objetivos, a programação e o posicionamento político do setor diante dos retrocessos instituídos no campo da educação com o governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (PMDB), como a construção do Programa Escola Sem Partido.


Ela diz que o Programa quer amordaçar a construção política dos movimentos e organizações populares do campo e da cidade.


Além disso, Zena destaca a agroecologia como um instrumento de luta que compõe a Reforma Agrária Popular e que traz em sua centralidade a alimentação saudável. “Esse debate precisa ser apropriado por nós enquanto educadores e educadoras do movimento, já que entendemos a escola como um espaço de formulação coletiva”.


Confira a entrevista na integra:


Qual o objetivo do encontro dos educadores este ano?


Nosso debate principal é trazer a conjuntura atual que vive o país com ênfase na educação, tendo como base, vários elementos que estão batendo de frente com a educação brasileira. E nós enquanto educadores do campo do Movimento Sem Terra, temos que estar atualizados, cada vez mais, e aptos para discutir estas questões.


Além da conjuntura, que temas serão debatidos durante o Encontro?


Teremos muitos temas, dentre eles, o debate da “Escola Sem Partido” e das políticas públicas voltadas para educação do campo terão seu espaço garantido. Porém, uma questão central será a agroecologia e a alimentação saudável.


Além disso, nosso encontro também traz como tema as frentes de educação que o Movimento vem trabalhando e, a partir disso, pensar os sujeitos que estão inseridos nas escolas.


Por que a agroecologia possui centralidade nas discussões do Encontro?


A agroecologia tem sido um debate importante a nível nacional dentro do MST, pois é mais um instrumento de luta que compõe a Reforma Agrária Popular e que traz em sua centralidade a alimentação saudável.


Esse debate precisa ser apropriado por nós enquanto educadores e educadoras do Movimento, já que entendemos a escola como um espaço central para expandi-lo. É nesse intuito que o Movimento juntamente com o setor de produção, de saúde e demais setores, trazemos esse debate à tona.


A conjuntura nacional aponta retrocessos nos direitos educacionais da classe trabalhadora, exemplo disso, e já citado por você, é o Programa “Escola Sem Partido”. Como o MST se posiciona sobre isso?


Para se contrapor a qualquer forma de dominação capitalista ou ofensiva conservadora contra a educação, nós precisamos estar atualizados e atentos. Ter o conhecimento de causa para poder fazer o debate e ir para o confronto é uma tarefa. Pensando nisto, teremos um debate sobre a educação brasileira e a imposição da ideologia burguesa com a “Escola Sem Partido”, que é um Programa que quer amordaçar a construção política dos movimentos e organizações populares do campo e cidade, porque ele destrói todas as conquistas que obtivemos no plano de uma educação crítica e autônoma.


Nossa proposta é discutir criticamente as estruturas que existem na sociedade brasileira. Esse programa não nos permite ocupar as salas de aula com as construções coletivas da classe trabalhadora. Somos contra a tudo isso e nosso encontro nos ajudará a refletir mais sobre.

 

 

*Editado por Rafael Soriano