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Do Coletivo de Comunicação do MST na Bahia
Da Página do MST


Ainda sem previsão de saída, o acampamento do MST montado durante a ocupação ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Salvador, traz o sentimento de luta e resistência diante das negociações e de formação política entorno de diversas atividades de estudo, laser e confraternização.


Uma das primeiras ações com este caráter foi o “Sarau da Reforma Agrária”, realizado nesta última sexta-feira (9), que abordou o tema “Povo preto unido é povo preto forte” e contou com a participação de muitos trabalhadores e trabalhadoras que se inscreveram para contar uma piada, um causo, recitar uma poesia ou cantar uma canção.


No domingo (11) houve uma extensa agenda de atividades. Os jovens realizaram durante a tarde uma assembleia, onde foi anunciado o 4º Encontro Estadual da Juventude Sem Terra da Bahia, previsto para o mês de novembro, e a noite o “Cinema da Terra”. No final, a região recôncavo da Bahia brindou a todos com muito samba de roda, garantindo a integração entre os Sem Terra.


Simbologia


Os espaços foram acompanhados pelas simbologias que forjam a luta do MST, como a lona preta, a foice e o facão, dando um caráter político e indenitário.


A mística foi bastante explorada pela juventude como um instrumento permanente de diálogo e fortalecimento das lutas em defesa da Reforma Agrária Popular. Denunciando as contradições do agronegócio, as relações de dominação presentes na lógica do capital e pautando a construção de uma sociedade igualitária e socialista.


Estas questões estiveram presentes nas atividades e reafirmaram a necessidade da organização, da formação e da luta “como princípios que forjam a construção de uma sociedade diferente”.


De acordo com Karla Oliveira, do coletivo de juventude do MST, diversos desafios estão apontados dentro e fora do Movimento sobre o atual cenário político brasileiro e, mais uma vez, muitas questões estão colocadas em torno do enfrentamento direto as forças reacionárias e os retrocessos políticos.


“Não podemos esquecer que falar de cultura é fazer política e que fazer política também é falar de cultura. Precisamos explorar nossa arte popular para fortalecer internamente a nossa organização e utiliza-la como ferramenta de diálogo social”, explica Oliveira.


Já Elizabeth Rocha, da direção nacional do Movimento, acredita que a juventude assumiu esta tarefa dentro da organização no estado e vem apontando diversos avanços neste sentido. “Nossa luta e a nossa construção política é uma tarefa permanente. Nossos jovens estão ocupando muitos espaços de enfrentamento direto e o desafio da organização está colocado na ordem do dia”.

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Jornada de lutas


O acampamento montado no Incra faz parte da Jornada Nacional de Lutas Unitária dos Trabalhadores e Trabalhadoras e Povos do Campo, das Águas e das Florestas, organizada por movimentos populares, sindicais e pastorais que atuam no campo brasileiro.

Na Bahia, a questão agrária é central, assim como, a defesa da produção de alimentos saudáveis e de políticas de transição agroecológicas. Porém, o estado possui uma pauta com um acúmulo de passivos que até então não foram negociados. Para o Movimento as reivindicações estão completamente travadas, sendo necessário a presença do presidente nacional para dá os devidos encaminhamentos.