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Crianças moradoras do acampamento brincam após ataque 

 

Por Nieves Rodrigues
Da Página do MST


Desde o ultima segunda feira (05) o acampamento Hugo Chavéz, em marabá, no Pará, sofre  ataques e intimidações por parte dos jagunços da fazenda onde esta localizado. O ápice da violência aconteceu com um incêndio criminoso que cercou todo acampamento, atingindo uma casa e causando a perca total da roça coletiva de três alqueires de mandioca.


Durante as madrugadas têm sido possível escutar tiros e bombas. Segundo dona Tereza, acampada, as noite são de medo e tensão.


 “Dia desses quando eu já estava me preparando pra deitar, eu escutei os tiros e as bombas, então eu corria aqui pro meio da praça onde o povo começou a se concentrar. Nós todos amanhecemos aqui, com medo.”

 

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Acampamento após o incêndio criminoso 


Histórico


Em 2014 a Fazenda Santa Tereza de propriedade do latifundiário Rafael Saldanha, foi ocupada por cerca de 1200 famílias organizadas pelo MST. Desde a primeira semana de ocupação as famílias sofrem com intimidações como exibições de jagunços fortemente armados com rifles  em cima de caminhonetes. Há relatos também de ameaças diretas ao moradores do assentamento 26 de março, que faz divisa com a área do acampamento Hugo Chavez, para que estes não deem nenhum suporte aos acampados.


Além de latifundiário Rafael Saldanha é proprietário de metade dos empreendimentos econômicos da cidade de Parauapebas, entre eles postos de gasolinas, supermercados e a construtora e incorporadora Nova Carajás. 
Em 2006 a família Saldanha foi investigada por envolvimento em sonegação de impostos, concorrência desleal, falsidade ideológica e formação de quadrilha em Montes Claros, Minas Gerais. 


Em 2002 o fazendeiro Osvaldo Saldanha foi condenado a pagar indenização para trabalhadores encontrados em situação de escravidão em uma de suas fazendas no município de Parauapebas. 


Rafael Saldanha tem fortes alianças politicas, como a de Joaquim Roriz, ex-governador do Distrito Federal, que participou de esquemas de corrupções e lavagem de dinheiro, a amizade foi relatada em um comentário de Junior White, também empresário de Parauapebas, para um site de noticias sobre economia, o que vem a justificar uma das formas de seu sucesso empresarial. 


Além disso, o latifundiário faz parte do grupo de fazendeiros que articulou e mandou assassinar duas lideranças do MST, Onalício Araujo Barros (Fusquinha) e Valentin Serra (Doutor), em dia 26 de março de 1998. Até hoje nenhuma ação penal que criminaliza os fazendeiros foi ajuizada.


Saldanha já havia mostrado interesse em negociar a venda da fazenda para o Instituto Nacional Colonização e Reforma Agrária (Incra) mas até o momento nenhuma ação foi formalizada. O Incra trata com lentidão o processo da área, bem como as ameaças por parte de Saldanha e sua família.  


Na ultima Jornada, as famílias Sem Terra permaneceram 17 dias acampadas no Incra. Em resposta, uma audiência entre representantes do órgão e o Movimento está marcado para essa terá-feira (13). 


As famílias também formularam uma denúncia na Delegacia Especializada em Conflitos Agrários e esperam resposta imediata pelos ataques sofridos com a responsabilização do fazendeiro Osvaldo Saldanha e Rafael Saldanha.