IMG_0608.JPG

Por Gustavo Marinho
Da Página do MST


Em clima de homenagem e celebração, famílias do assentamento Francisco de Souza, no município de Atalaia, Zona da Mata de Alagoas, inauguraram a construção das suas casas no assentamento pelo Programa Nacional de Habitação Rural.


No assentamento conhecido como Chico do Sindicato, das oito famílias, cinco receberam a chave de suas casas recém-construídas. De acordo com Ermany Dornelles, do Centro de Capacitação Zumbi dos Palmares, entidade responsável pelo projeto de construção das casas, a conquista da moradia é um momento importantíssimo para as famílias do assentamento.


“Essa conquista é resultado do empenho de diversos parceiros, entidades e organizações que possibilitaram que hoje a habitação fosse algo real para a vida das famílias que aqui vivem. Representa muito mais que a saída do barraco de lona, é a expressão da realização de uma vida plena e digna no lugar onde escolhemos para viver”, disse Ermany.


Além dos diversos profissionais envolvidos na construção das habitações, estiveram presentes amigos do MST da cidade de Atalaia, familiares do Chico do Sindicato, além da presença de representação da superintendência do Banco do Brasil em Alagoas e da agência do município de Atalaia.


Segundo Alan Pais, da Superintendência do Banco do Brasil, a inauguração também é um momento gratificante para a instituição. “Esse é o primeiro empreendimento que o Banco do Brasil entrega no estado de Alagoas pelo Minha Casa Minha Vida Rural e olhar as casas e perceber a qualidade do que foi construído no assentamento é motivo de muita emoção”, afirmou.


Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, destacou que a conquista das casas é mais um passo da luta dos trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra em Alagoas.


“O dia de comemoração só está sendo possível pelo processo de mobilização que as diversas famílias construíram, com as mobilizações e ocupações das agências, exigindo e pressionando a construção das nossas casas”, relata Nunes, que também é assentada no Chico do Sindicato.


Para a coordenadora do MST, o dia também foi um momento de reafirmar que o caminho para se seguir deve ser a luta. “Esse caminho nós aprendemos com a nossa história, em saber que os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras estão postos, mas eles não são garantidos se não estivermos em luta, pois é a luta e a organização que possibilita que as nossas conquistas avancem”, ressaltou Débora.


Reforçando a necessidade de fortalecimento e desdobramentos do Programa Nacional de Habitação Rural, Débora destacou ainda a importância do programa na garantia da habitação nas áreas de assentamento da Reforma Agrária.


“Estamos em um momento histórico em que os trabalhadores sofrem diversas ameaças aos seus direitos e o acesso à habitação é um deles. Precisamos seguir resistentes a essas ameaças, do mesmo modo que estivemos em luta pressionando para que pudéssemos conquistar nossas casas”, disse. “Moradia é um direito e continuaremos na luta para que ele seja garantido, sem burocracia e com mais agilidade”.


Chico do Sindicato
 

IMG_0586.JPG

Francisco de Souza, conhecido como Chico do Sindicato, foi um sindicalista na cidade de Atalaia, que atuou no sindicato dos trabalhadores rurais e contribuiu na organização e na luta dos trabalhadores na ocupação das terras da antiga Usina Ouricuri, após sua falência. Chico foi assassinado em março de 1996 pelas mãos da elite de Atalaia e até hoje seu caso segue impune.


Para Cícero Albuquerque, professor da Universidade Federal de Alagoas, a grande elite atalaiense imaginou que o assassinato de Chico seria uma barreira nos processos de luta na cidade.


“Eles imaginavam que iríamos nos acovardar e em nossa história mostramos que a covardia não nos cabe. É gratificante termos em Atalaia um lugar lindo que traz essa homenagem ao nosso companheiro Chico. Lindo não apenas pela beleza do assentamento, mas por essa ser uma bela conquista do povo trabalhador”, salientou.


Débora Nunes destacou que esta homenagem para Chico do Sindicato no nome do assentamento é um reconhecimento do MST, “reconhecemos um companheiro que deu sua vida em nome da luta pela terra na região. Aqui em Atalaia, talvez a nossa principal tarefa seja vingar a elite desse município, em nossas lutas, ocupações e conquistas, além de mantê-la viva a em nossa memória e história”.


“Reafirmamos aqui nosso compromisso de seguir derrubando as cercas que por anos aprisionou nosso povo e cada cerca que derrubarmos será um momento de celebrar e nos colocarmos em luta”, conclui Nunes.