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Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia

 

Amar o campo, ao fazer a plantação,/não envenenar o campo é purificar o pão./ Amar a terra, e nela plantar semente,/a gente cultiva ela, e ela cultiva a gente.


Com as palavras desta canção do cantor e compositor Zé Pinto, o MST no estado da Bahia oficializou a 2º Feira Estadual da Reforma Agrária na tarde dessa quinta-feira (11), durante Ato Político que envolveu diversas representações públicas e a sociedade soteropolitana.


Com uma programação que vai até o sábado (13) e repleta de atrações culturais, o MST trouxe a mística, as canções e os gritos de ordem que norteiam as lutas pela terra no Brasil em seus diversos contextos históricos.


Segundo a direção do Movimento, a proposta inicial da Feira de trazer à sociedade o debate da agroecologia e ampliar as relações sobre as bandeiras defendidas pela organização em seus processos de luta se somou ao debate da comercialização e soberania alimentar como elementos táticos na construção de um novo projeto produtivo para o campo.


Estas questões apareceram diversas vezes nas falas realizadas no ato, em especial no posicionamento de Lucineia Durães, da direção estadual do MST, ao afirmar que quebrar os arames farpados significa romper com a ideia de subordinação.

 

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Campo e cidade


Neste contexto, Djériz Bonfim, militante do Levante Popular da Juventude, pautou a unidade e reafirmou a necessidade da construção coletiva em defesa da Reforma Agrária Popular a partir do berço histórico que forjou o Levante.


“A gente não se criou fora da construção histórica do nosso país e nossa organização se coloca como instrumento político que paute um projeto popular na sociedade e para isso, a democratização da terra é central e o diálogo é fundamental”, disse Bonfim.


Renata Rossi, superintende de Política Territorial e Reforma Agrária da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), apontou a luta dos movimentos camponeses dentro da legitimidade institucional ao falar das tarefas que cabem à secretaria no fortalecimento da Reforma Agrária.


“Para isso, nosso maior desafio é continuar ampliando os debates nos diversos setores, a fim de propor e construir uma sociedade igualitária. Essa é uma de nossas tarefas”, explicou.


Sujeitos


Pensando nisso, o secretário de desenvolvimento rural, Jerônimo Rodrigues, ao representar o governador Rui Costa (PT), falou dos sujeitos que lutam, plantam e colhem o alimento. “Por detrás do trabalhador tem um amplo processo histórico e representativo que precisa ser visto”, afirmou Rodrigues.


“Temos a tarefa de incentivar e fortalecer a produção de alimentos saudáveis para assim, desenvolver um campo que inclua e garanta o crescimento dos sujeitos é nossa função”, concluiu o secretário.

 

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Alimentar é um ato político


Um dos grandes desafios, colocados pelo MST no estado, parte da ideia de pensar a agroecologia como ferramenta impulsionadora do diálogo com a sociedade. A Feira está colocada enquanto instrumento que aborde de maneira ampla as perspectivas produtivas e a necessidade da luta pela Reforma Agrária.


“Hoje, mais do que nunca, precisamos debater e envolver a sociedade. Nossa tarefa não é apenas comercializar. Nossa tarefa é dialogar. Mostrar as conquistas coletivas que a luta pela terra propicia”, afirmou Evanildo Costa, da direção nacional do MST.


Pensado como ato político, o debate da alimentação saudável está sendo o porta voz do Movimento à sociedade soteropolitana que “no primeiro dia de Feira levou para casa cerca de 20 toneladas de produtos”, destacou Costa.

 

 

*Editado por Rafael Soriano