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Fotos: Catiana Medeiros 

 

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

 
Os ataques aos direitos da classe trabalhadora também têm refletido de forma negativa na educação do campo. Pensando em maneiras de enfrentar essa ofensiva do capital que precariza o ensino público, organizações populares, sindicatos e instituições de ensino superior realizaram uma plenária para construir a Articulação em Defesa da Educação do Campo do Rio Grande do Sul.

 

O evento aconteceu nesta quarta-feira (10), no Núcleo de Estudo em Agricultura Familiar e Camponesa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na região central do estado.


Conforme Juliane Soares, do Setor de Educação do MST/RS, a construção de um movimento que unisse forças em torno dessa pauta era uma demanda antiga da população camponesa. “Com a organização popular e o surgimento dos cursos de Licenciatura em Educação do Campo nas universidades e institutos do estado essa mobilização começou a se fortalecer. Mas a decisão de construir a Articulação em Defesa da Educação do Campo do Rio Grande do Sul tomou corpo no Seminário Regional de Educação do Campo (Sifedoc), realizado no final de 2015 em São Lourenço do Sul”, explica.


Entre os comprometimentos já assumidos pela Articulação está a luta contra a mercantilização da educação e o fechamento de escolas. Segundo o Censo Escolar, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2014 foram fechadas 107 escolas do campo no RS.


“Quando escolas são fechadas há a negação dos sujeitos que vivem no campo e do direito que eles têm à educação. Através da Articulação vamos reafirmar que o campo está vivo e que merece ensino de qualidade nos seus territórios, além de contribuir para evitar o êxodo rural”, reforça Juliane.

Plenária também teve análise de conjuntura com o metalúrgico Milton Viário.JPG

O intuito agora é organizar a Articulação nas regiões do estado e somar centenas de apoiadores da educação do campo à iniciativa até o seu lançamento, que está previsto para o primeiro semestre de 2017. Até o momento, há o envolvimento de vários movimentos camponeses e organizações populares, do Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers/Sindicato) e de cinco instituições de ensino superior – UFSM, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Universidade Federal do Rio Grande (FURG – campus São Lourenço) e Instituto Federal Farroupilha (IFF – campus Jaguari).


Outras ações


A plenária estadual foi realizada no mesmo dia em que se completaram 21 anos da morte do sociólogo brasileiro Florestan Fernandes, que carregava entre suas bandeiras de luta o acesso universal à educação. Na abertura, os participantes lembraram a militância do educador e criticaram em mística o projeto Escola Sem Partido, que quer eliminar a discussão ideológica no ambiente escolar e restringir os conteúdos de ensino.


Eles também acompanharam uma análise de conjuntura com o metalúrgico Milton Viário, integrante da Frente Brasil Popular.