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Elizabeth Rocha, da direção nacional do MST na Bahia.


Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia
Da Página do MST


Agroecologia, soberania alimentar e a Reforma Agrária Popular são elementos colocados por Elizabeth Rocha, da direção nacional do MST, ao comentar sobre os projetos políticos que garantem a construção de uma sociedade diferente, baseadas em valores igualitários e com a mística das lutas populares.


Com a realização da 2º Feira Estadual da Reforma Agrária, que inicia nesta quinta-feira (11), na Praça da Piedade, centro de Salvador, Elizabeth fala sobre a agroecologia e a produção de alimentos saudáveis como pilares para a construção de uma ampla reforma no modelo de produção brasileiro.


Além disso, aborda o tema da comercialização como instrumento propulsor do diálogo com a sociedade ao mostrar que a Reforma Agrária é o que garante a alimentação na mesa do trabalhador e da trabalhadora.


Confira a entrevista na íntegra:


A agroecologia é uma bandeira defendida pelo MST e está presente nos acampamentos e assentamentos. Que método é utilizado para que, na prática, este debate chegue às comunidades e tenha resultados?


Na trajetória do MST procuramos construir uma proposta de Reforma Agrária que trabalhasse com a simbologia e a identidade dos camponeses e sua ligação com a terra. Discutimos com os assentados e acampados por compreendermos que possuem experiência no trato e no cultivo dos alimentos. Descobrimos que tem uma forma diferente de produzir e é exatamente com base na agroecologia, porque nós queremos uma sociedade diferente. Pensando nisto, não podemos envenenar a produção. Não podemos matar. Muito pelo contrário, precisamos cuidar para que a vida se reproduza com qualidade. A agroecologia propõe isso.


Não é só a proposta da agricultura que está colocada na compreensão agroecológica é a forma do ser humano viver. E para isso, garantir a qualidade de vida é fundamental. O MST trabalha com essa concepção, pois sabemos que é um desafio muito grande, por não ser algo pronto. Já que a sociedade sempre trabalhou com o modelo do capital, nos ensinando que temos que destruir e não construir.


Qual a diferença entre o modelo de produção do capital e o modelo defendido pelo MST?


O agronegócio possui como principal base o lucro por meio da produção em grande escala para exportação. Não produz alimento para sociedade e para os trabalhadores. Pensam apenas no lucro das empresas, dos seus proprietários e dos bancos. Nossa visão é de produção de alimentos saudáveis que realmente cheguem à nação. Existe uma população que ainda passa fome no mundo e outros possuem grandes extensões de terra que não são utilizadas.


A diferença principal no objetivo final. O nosso é alimentar o povo com qualidade, enquanto o agronegócio quer apenas lucrar, trazendo morte e a destruição da natureza e das pessoas.


Como está organizada a produção dentro do movimento?


Dentro do movimento nós trabalhamos com setores que procuram discutir e organizar as famílias a partir dos acampamentos e assentamentos. Esse método não é diferente com a produção, que se organiza desde o núcleo de família até a coordenação. Aí temos uma estrutura de brigada a nível estadual e a nível nacional nós temos um setor organizado que possuí a tarefa da produção.


Este setor atua nacionalmente e trabalha com as linhas políticas que discutimos dentro da Reforma Agraria Popular que pauta a produção de alimentos saudáveis. Para isso ampliamos a discussão e vamos debater a assistência técnica, o acesso à educação diferenciada e outras questões.


O MST no estado da Bahia realiza esse ano sua 2º Feira Estadual da Reforma Agrária. O que foi pensado para esse espaço?


As feiras estão colocadas como um espaço central de diálogo com a sociedade, uma vez que, durante toda nossa construção a grande mídia repassa a ideia que somos baderneiros, bandidos, destruidores. Com a feira discutimos diretamente com as famílias, mostramos nossa produção e a proposta da soberania alimentar.


Em 2002, fizemos a primeira feira na capital do estado, desde então nossos produtos ocuparam as regionais em que o Movimento está organizado e fomos acumulando muita experiência a partir disto. Agora a ideia é trazer para Salvador e mostrar ao povo o que o MST faz, como e o que produz.


Então podemos afirmar que nessa feira encontraremos produtos agroecológicos?


A agroecologia é uma transição e um desafio colocado na ordem do dia para o MST. Com certeza encontraremos produtos sem veneno que as famílias produziram de maneira sustentável. Agroecologia é um caminho que estamos trilhando e que nessa feira teremos produtos orgânicos e saudáveis para comercializar e dialogar com a sociedade soteropolitana.


O que está pensado na programação da Feira?


Além da produção agrícola, orgânica, realizaremos várias atividades culturais. Porém, o mais importante é vivenciar aquilo que a gente propõe no campo agroecológico. Para isso, o Movimento vai se apresentar à sociedade através da música, do artesanato e da experiência dos mais velhos.


*Editado por Iris Pacheco