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Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia


Nesta quarta-feira (03), o ex-presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou as famílias Sem Terra no Assentamento Lulão, localizado em Santa Cruz Cabrália, Extremo Sul da Bahia.


A atividade envolveu cerca de 2500 trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra, além de representações públicas estaduais, nacionais e de diversos segmentos da sociedade.


Na ocasião, Lula falou sobre a importância da luta da classe trabalhadora do campo e da cidade e da construção da Reforma Agrária Popular. Além de denunciar o golpe como um atentado ao povo brasileiro.


Mediação do conflito entre a empresa Veracel e os Sem Terra


"Lembro da minha vinda em 2005 na empresa de Eucalipto Veracel e o que eu disse aos empresários sobre as reivindicações dos Sem Terra. Lembro das críticas que a empresa me fez, quando eu disse que o movimento Sem Terra é um Movimento sério, de homens e de mulheres de bem, e que era preciso respeitá-los".


"As famílias obtiveram a terra, e o mais dignificante é que provaram com o resultado do trabalho que estavam certos, que valeu a pena qualquer sacrifício quando a luta é pela dignidade, quando é por melhores condições de vida para nossos filhos", afirmou.


"Aprendi que não há nenhuma razão para que um homem ou uma mulher deixe de lutar, que deixe de acreditar e de perseverar".


Fruto da intermediação de Lula na época, se evitou um conflito entre a classe trabalhadora e as empresas transnacionais do eucalipto na região, que poderia ter culminado como o ocorrido em Eldorado dos Carajás em 1998. Com isso, assentou-se 720 famílias em 9 áreas de assentamentos na região do extremo Sul da Bahia.

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Riqueza da luta dos trabalhadores


Argumentou que as famílias do movimento Sem Terra é exemplo do que é o povo brasileiro. "Vocês ficam muito tempo embaixo de uma lona preta, com todas as dificuldades e resiste as ações da classe burguesa que
faz de tudo para dificultar a vida dos trabalhadores".


"Essa vontade de lutar e coragem para defender a nossa dignidade, essa é a maior riqueza do povo brasileiro. É por isso que estou aqui. Eu quero morrer sendo testemunha de que vale a pena a luta de vocês".


"As pessoas querem paz, não querem tomar nada de ninguém. Nós queremos o que é nosso. O direito a dignidade, o direito a vida, a decência.


"Nos queremos que uma menina filha de um trabalhador possa ir pra universidade pra ser engenheira, pra ser médica, agrônoma, não pra ser empregada domestica. Nos queremos que as pessoas evoluam, se eles
podem mandar os filhos deles fazer pós graduação na França, por que o trabalhador não podem também?".


Denúncia contra o golpe 


Afirmou que a elite brasileira, em conjunto com o capital internacional, estão dando um golpe à democracia do país, afim de implantar seus interesses. "Estão afastando a Presidenta Dilma sem nenhuma razão".


"Eles não estão contra Dilma, ou contra o PT, estão contra 54 milhões de votos dos trabalhadores que elegeram a Presidenta", denunciou.


"Esse golpe é por que nós mostramos ao país que se pode governar com dignidade. Que o povo pobre deve ser respeitado, os trabalhadores não querem muito, eles querem trabalhar, querem estudar, querem morar,
querem ter acesso cultura, segurança", afirmou.

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Presidência


Apesar dos diversos gritos do povo conclamando seu retorno, o ex-presidente afirmou já estar com idade avançada e que não é sua intenção disputar as eleições presidenciais de 2018.


"A elite brasileira não tem que ter mais preocupação comigo, estou velhinho. E o futuro de uma pessoa de 70 anos não é como um jovem de 13 anos".


"O que eles devem ter preocupação são com os filhos dos trabalhadores que já conhecem a dignidade e aprenderam a lutar por ela. Eu não sou radical. Radical serão eles quando começarem a dizer que não serão
subordinados, subservientes", afirmou.


"Portanto a elite brasileira não se preocupe com o Lula em 2018, se for necessário eu volto, mas se preocupem na verdade é que já renascemos em nossos filhos e nossos netos", concluiu.


Conjunto Assentamento Luís Inácio Lula da Silva (Lulão)

 

O Assentamento Luiz Inácio Lula da Silva, situado no município de Santa Cruz Cabrália, é fruto de um processo de luta do MST que iniciou em janeiro de 2003 na região do Extremo Sul da Bahia.


Dessa forma, conseguiu mobilizar com este trabalho 1500 famílias para montar um acampamento na BR 367, km 35, no entroncamento de Trancoso em Porto Seguro. O acampamento recebeu o nome de Luís Inácio Lula da
Silva, e devido sua amplitude as famílias o apelidaram de Lulão.


Em abril de 2004 foi feita uma grande ocupação em uma área da empresa multinacional Veracel Celulose que ficava ao lado do acampamento Lulão, forçando o governo federal negociar três áreas para assentar as
famílias.


Na verdade, a liberação destas áreas não aconteceu de forma imediata e como resultado as famílias receberam a ordem de despejo para desocuparem a fazenda da Veracel. Entretanto, as famílias decidiram
continuar acampadas às margens da BR para aguardar e pressionar o andamento das negociações.


No ano seguinte, mas especificamente, no dia 20 janeiro de 2005, o Acampamento Lulão recebeu a ilustre visita do então presidente da Republica Luís Inácio Lula da Silva, que na ocasião reafirmou a sua luta pela consolidação da Reforma Agrária no país. Também, prometeu às famílias Sem Terra que até o fim daquele ano assentaria todos os acampados do Lulão, além de comprometer-se a participar do ato de
entrega da emissão de posse das áreas.


No dia 27 de setembro de 2005, o então Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva reuniu com todas as famílias acampadas para entregar oficialmente a imissão de posse das áreas.


Atualmente no assentamento têm varias estruturas como um Posto de Saúde da Família, a Escola Municipal Paulo Freire que atende 285 alunos, uma sede comunitária da associação do assentamento, uma
agroindústria, e se está terminando a construção da quadra poliesportiva da comunidade.


O Assentamento Luis Inácio Lula da Silva têm 132 famílias, possui um sistema de moradia organizado em agrovila, cada assentado tem uma área de produção individual e uma área de produção coletiva.