pereira.jpg


Por Catiana de Medeiros
Do Brasil de Fato


“O liberalismo e o projeto desenvolvimentista do Brasil castraram o processo criativo dos artistas”, destacou o músico Pereira da Viola, durante a coletiva de imprensa de lançamento do Festival Nacional de Arte e Cultura da Reforma Agrária nesta quinta-feira (21). Além de Pereira, participaram Guê Oliveira, do setor de Cultura do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e os diretores nacionais do Movimento, João Pedro Stédile e Ênio José Bohnenberger.


Foi a luta de classes travada nas últimas décadas no Brasil que desencadeou o posicionamento político dos artistas. “No período da ditadura militar nós tínhamos elementos para compor todo o imaginário, porque sabíamos o que queríamos atingir. O artista que trabalha a arte a partir dessa relação visceral da vida do povo ficou sem esse elemento de construção nos anos 90. Mas agora, já temos várias músicas denunciando os retrocessos e batendo em Temer e Aécio, porque há essa identificação dos artistas”, diz.


Pereira explica que o golpe contra a democracia foi de “suma importância para os artistas”. “Agora sabemos de qual lado queremos estar e podemos discutir com a sociedade o projeto que queremos construir. É um momento especial para nós, a terra está fértil para plantarmos”, finaliza.


Festival Nacional de Arte e Cultura da Reforma Agrária


O Festival é a “realização de um grande sonho”, aponta Pereira da Viola. “É primeira vez, que se faz um evento sem conotação de disputa, de classificação dessa apresentação ser melhor ou pior”. Pereira, natural da cidade mineira de Teófilo Otoni, é uma das atrações do Festival (fará show gratuito nesta sexta-feira 22, na Praça da Estação), que começou nesta quarta-feira (20) e se estende até o próximo domingo (24), contemplando o povo mineiro com o melhor da cultura camponesa.


Para Pereira, o festival representa um novo modelo de organização cultural. “A arte se soma a todo esse processo de luta permanente que nós brasileiros vivenciamos cotidianamente. Assim como os assentamentos do MST estão preocupados em alimentar as pessoas com uma produção que traga realmente saúde, nós, artistas que comungamos dessa ideia, construímos músicas que também possam alimentar as pessoas, gerando a elas a possibilidade de uma vida saudável”, explica.


O Festival é uma nova forma de pensar o homem, a sociedade e o amor pela arte, segundo o músico. “É um novo compartilhamento de sentimentos que não passa pela busca financeira. Agradeço ao MST por todo o conhecimento que adquiri na vida, que só se alimentou com essa parceria estabelecida com o Movimento”, conclui


Mostra 


Além de atrações já consagradas como Chico César, Aline Calixto, Flávio Renegado, Xangai e o próprio Pereira da Viola, o Festival conta com a mostra de música “Da Luta Brotam Vozes de Liberdade”, que escolherá 10 canções para um registro em CD e a mostra de poesia “Versando Rebeldia”, que apresentará poesias da luta camponesa e de questões de gênero, que serão publicadas em um livro.

Edição: José Eduardo Bernardes