Em contraponto aos agrotóxicos, a produção de alimentos saudáveis também foi abordada durante a mística.JPG

 

Catiana de Medeiros
Da Página do MST
Fotos: Daniel Piovesan

 

O MST do Rio Grande do Sul reforça a luta para que a produção de alimentos sem o uso de venenos seja uma realidade não apenas em áreas de assentamento. Para alcançar esse objetivo, o Acampamento Dom Tomás Balduíno, na região Metropolitana de Porto Alegre, recebeu no último sábado (02) o lançamento da jornada "Agroecologia: Alimentação Saudável e em Defesa da Vida".


De acordo com o agroecólogo Antônio Braga, a iniciativa, que é realizada em parceria com a Associação Estadual Carlos Dorneles e o Fundo Socioambiental Casa, prevê seis oficinas e tem duração de um ano. Além disso, ela segue o programa agrário criado em 2014 pelo MST.


“O intuito é propiciar aos acampados uma fonte de renda e incentivá-los a continuarem produzindo alimentos saudáveis quando conquistarem um pedaço de terra. Isso inclui, entre outras atividades, produção de extratos fermentados com água da chuva e plantas, criação de produtos naturais à base de plantas medicinais e aromáticas e visitas às feiras e assentamentos”, explicou Braga.


Durante o ato de lançamento do projeto, o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo orientou as famílias para a rotação de culturas e a produzirem sementes crioulas, para que possam aproveitá-las nos próximos anos e não ficar dependente do sistema capitalista de produção. Essa medida, além de garantir alimentos saudáveis, protege a saúde dos seres humanos e da natureza.

 

Iniciativa prevê a realização de seis oficinas ecológicas..JPG


“As empresas tomaram conta das sementes, que são patrimônio da humanidade, e nós perdemos os ensinamentos dos indígenas e dos camponeses que têm maior experiência na produção limpa. O homem utiliza cada vez mais veneno nas lavouras, mas não há uma dessas substâncias que não faça mal. Muitas desencadeiam câncer trinta anos depois de causarem a intoxicação. A única solução para não ser vítima é deixar de usar e não consumir alimentos contaminados”, alertou Melgarejo.


Conforme o Sem Terra Neuzir Alba, 170 famílias vivem debaixo de lona preta no acampamento, onde já existe experiência de produção limpa através de horta coletiva. Para ele, o projeto vai ajudar as famílias a compreenderem melhor a agroecologia e os benefícios que ela traz pode gerar ao homem e o meio ambiente.


“Não adianta ficarmos anos acampados para reproduzir o modelo convencional de produção quando conquistarmos um lote. Esse projeto vai nos ajudar muito a fortalecer e a expandir a agroecologia” disse Alba.

 

 

*Editado por Rafael Soriano