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Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia
Fotos: Thomas Bauer


A simbologia da fé católica tomou conta das ruas da cidade de Bom Jesus da Lapa - região do São Francisco baiano -, durante a missa de abertura da 39º Romaria da Terra e das Águas, que aconteceu na noite da última sexta-feira (01).


Esse ano a Romaria que terminou no domingo (3), trouxe o tema “Cuidar da Casa Comum, conversão ecológica”, com isso cerca de quatro mil mil trabalhadores e trabalhadoras participaram diretamente do evento que é organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT – Bahia), pelas Dioceses de Bom Jesus da Lapa, Barreiras, Irecê, Barra, Caetité, Arquidiocese de Vitória da Conquista, Santuário Bom Jesus e por diversas organizações e movimentos populares, entre eles o MST.


A abertura do evento foi fortemente marcada pela religiosidade popular presente nos cantos, nas mudas de árvores frutíferas e pela liturgia, animada por instrumentos musicais, como: triângulo, zabumba e sanfona.


A celebração foi presidida pelo bispo da cidade, Dom João Santos Cardoso, e concelebrada pelo bispo da diocese de Barra, Dom Luis Cappio. Além disso, contou com a presença de dezenas de padres vindos de diferentes regiões da Bahia e Minas Gerais.


O ponto de encontro foi a Esplanada do Santuário de Bom Jesus da Lapa, o que mobilizou pessoas dos quatro cantos do estado.

Durante os três dias de evento foram realizados debates, mostra de filmes, apresentações culturais, celebrações religiosas e uma grande feira de artesanato e produtos agrícolas.


De acordo com Domingas Farias, da direção estadual do MST, a Romaria é simbólica, pois unifica as lutas. "E esse ano principalmente, quando tem como  tema a agroecologia que está sendo uma das plataformas de enfrentamento ao agronegócio pela classe trabalhadora". 


Resistência dos povos


Um dos elementos presentes foi a unidade popular e a força das comunidades rurais na Romaria, que repudiavam veementemente o avanço do agronegócio e a impunidade presente no campo.


A CPT, anualmente, divulga dados sobre a violência cometida contra os trabalhadores que lutam pela terra e o aumento significativo nos a últimos anos é drástico.


Para Wilson Pianissola, também da direção estadual, a fé é um espaço político e não podemos permitir que o agronegócio cale essa voz. “A Romaria se propõe a dar continuidade as denúncias contra o agronegócio e também a fortalecer o debate do cuidado com o meio ambiente”, afirmou.

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MST na Romaria


O MST no estado a mais de 15 anos vem mobilizando camponeses e camponesas, assentados e acampados, a se somarem aos processos de luta e estudo, por compreender o espaço como tático para avançar no debate da Reforma Agrária junto a sociedade.


Nesse ano, o Movimento está presente com cerca de 350 pessoas a fim de fortalecer as denúncias contra o modelo de produção do agronegócio e pautar a Reforma Agrária como instrumento político capaz de garantir a soberania popular e a preservação do meio ambiente. 

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