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Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia


Nesse último sábado (25) cerca 200 famílias realizaram um ato de inauguração da Unidade de Saúde da Família (USF) construída por trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra do Acampamento Edite Xavier, localizado no município de Alcobaça.


Durante o ato, a militante e educadora do campo Marizete Oliveira dos Santos, falecida no início do ano, foi homenageada pelos Sem Terra que deram seu nome a Unidade.


O início das obras aconteceu em meados de 2015 e foram finalizadas em junho de 2016. A estrutura física da Unidade conta com quatro cômodos e dois banheiros.


Saúde é qualidade de vida


De acordo com Maria Aparecida, coordenadora do acampamento, a construção do espaço é resultado do entendimento das famílias de que a saúde, compreendida como sinônimo de qualidade de vida, é uma das dimensões da Reforma Agrária Popular.


"Numa região afetada social, cultural, econômica e ambientalmente pelo agronegócio do eucalipto, da pecuária e da cana de açúcar, a luta pela Reforma Agrária Popular significa também pensar na saúde como boas condições de moradia, educação, alimentação e cultura”, disse Aparecida.


Já Carlos Roberto, da direção estadual do MST, acredita que o modo de produção do capital limita as instituições, além de apoiar as barreiras burocráticas que impedem a construção de processos que dignificam a vida dos trabalhadores. "Como lutadores, responsabilizamos e exigimos do estado mais qualidade de vida, mas não podemos esperar e depender de uma estrutura burocrática e capitalista”.


“As famílias construíram, mas de agora em diante o espaço será de responsabilidade da Prefeitura Municipal de Alcobaça, que deverá mantê-lo funcionando com atendimentos e coletas de exames quinzenalmente, como foi prometido pelo prefeito”, concluiu Roberto.

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Acampamento Edite Xavier


O acampamento Edite Xavier é fruto da jornada nacional de luta das mulheres, realizado em março de 2012, contra o monocultivo do eucalipto que tem provocado o êxodo rural e a destruição do meio ambiente.


Na ocasião, mais de 1,2 mil mulheres ocuparam e montaram acampamento na fazenda Nova Esperança, que era utilizada pela empresa Suzano Papel e Celulose para plantação de eucalipto.


Atualmente, o acampamento possui 350 famílias e possui uma escola com 68 educandos, nas modalidades do ensino fundamental e na Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de produzir alimentos de maneira agroecológica para a região.


As famílias estão aguardando há quatro anos o resultado das negociações entre os governos estadual e federal com a empresa Suzano para destinação da fazenda à fins de Reforma Agrária.


Assim como a construção do posto, os Sem Terra afirmaram que apenas com luta, resistência e o protagonismo popular será possível conquistar e democratizar