Da Página do MST 


Nesta terça-feira (28), movimentos sociais do campo, que se organizam em um grupo unitário de debates sobre a questão agrária no estado, realizaram uma grande mobilização em defesa da Reforma Agrária. A ação ocorre em função da visita do Presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Leonardo Góes Silva, ao Mato Grosso do Sul, nomeado pelo presidente interino golpista, Michel Temer (PMDB).


Em protesto a situação da Reforma Agrária em Mato grosso do Sul, que há dez anos vem caminhando a passos lentos, os movimentos paralisaram diversos pontos das estradas em Rio Brilhante, Itaquiraí, Vale do Ivinhema, Três Lagoas, entre outros. Além disso, desde a manhã estão em um grupo na sede do Incra de Campo Grande.


As pautas reivindicadas vão além da paralisação da Reforma Agrária e passam pela falta de assistência técnica e acesso aos programas de fomentos para as mais de 27.832 famílias assentadas, em cerca de 204 assentamentos, espalhados pelo estado. Outro ponto que os movimentos mobilizados discordam, é com a recente exoneração do superintende do Incra em MS, Humberto de Melo, que havia sido um nome de consenso das maiores organizações sociais de luta pela terra e que teve poucos meses de trabalho à frente do órgão.


De acordo Jonas Carlos Conceição, da direção do MST, os movimentos reivindicam posicionamentos do Incra Nacional, pois não é trocando de superintendente a todo momento que as questões serão solucionadas. 


“Não reconhecemos o Governo golpista de Michel Temer, as exonerações prejudicam uma série de processos que estavam sendo construídos. A troca de superintendente no MS tem sido uma constante nos últimos tempos e não conseguimos firmar uma política interna no órgão, o que afeta as famílias acampadas e assentadas no estado. Após grandes mobilizações, uma marcha de mais de 10 dias, conseguimos a nomeação do Humberto e caminhávamos, mesmo que lentamente por conta da situação nacional, para a construção de um processo que visasse de fato os objetivos do Instituo e agora voltamos à estaca zero que é de novo a discussão do nome”, comenta Jonas.


Além disso, Jonas Carlos ressalta que não houve uma construção coletiva  para a vinda do atual presidente do Incra Nacional.


“Se o órgão lida diretamente com os movimentos para construção de seus processos de assentamento, como o presidente vem ao estado e isso não é repassado para as organizações do Mato Grosso do Sul? Logo, não tínhamos outra saída, a não ser reivindicar os nossos direitos e dizer que não aceitaremos mais retrocessos em nossas pautas de luta. Permaneceremos mobilizados em defesa da democracia em nosso país e dos direitos dos trabalhadores do campo e da cidade”, ressalta. 


Participam da mobilização estadual, o MST, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul (Fetagri), o Movimento dos Sem-Terra Brasileiros (MSTB), a Centra Única dos Trabalhadores (CUT), a Ligas Camponesas, o Movimento Novo, o Movimento Camponês de Luta pela Reforma Agrária (MCLRA) e a Organização de luta pela Terra (OLT).


O trancamento de rodovias segue por toda a manhã e os movimentos aguardam um posicionamento para se reunir com o presidente do Incra Nacional no período da tarde, mobilizados na sede do Instituto em Campo Grande.