IMG-20160621-WA0013.jpg

 

Por Janelson Ferreira
Da Página do MST

 

O MST de Mato Grosso do Sul realizou na manhã desta terça (21) doação de alimento para o Instituto Educacional das Irmãs do Divino da Misericórdia, localizado no Bairro das Moreninhas, em Campo Grande. No total, o Movimento contribuiu com 200 quilos de mandioca descascada.


O educandário atende cerca de 50 crianças diariamente e está localizado no Parque do Sol, região sul de Campo Grande. A atividade faz parte de diversas iniciativas que o MST vem realizando no sentido de demonstrar para a sociedade a diversidade da produção que existe nos seus assentamentos e acampamentos.


A doação de alimentos é uma estratégia encontrada pelo Movimento no estado para dialogar com a sociedade. Busca-se, além de contribuir com alguma entidade que necessita de doações, romper com o senso comum de que os assentamentos tornaram-se favelas rurais e os acampamentos não tem pessoas morando.


Em um momento de crescimento do conservadorismo, a atividade busca evidenciar a Reforma Agrária Popular como uma alternativa para a produção de alimentos saudáveis no país.


Para Jonas Carlos da Conceição, a doação, além de ajudar o Instituto, demonstra o compromisso e preocupação do MST com a sociedade. “Semanas atrás, o Deputado Federal Jair Bolsonaro, veio ao estado e afirmou que o cartão de visitas para o MST deve ser um cartucho de fuzil. Nossa resposta é esta. A luta pela Reforma Agrária Popular não é apenas para beneficiar os/as assentados/as, mas o povo brasileiro como um todo”, declara.


Para o dirigente, as doações é o resgate de uma prática que o Movimento tem experiência. “Já realizamos diversas marchas que, pelas cidades que passavam, realizavam mutirões de limpezas das vias públicas, além de reforma de escolas, creches, asilos. Durante a ocupação das escolas públicas em São Paulo, o MST fez diversas doações de alimentos aos manifestantes. É esta prática que estamos resgatando”, finaliza Jonas.


Os alimentos doados foram produzidos no Assentamento Nazareth, localizado à 15Km de Anhanduí, distrito de Campo Grande. Além da mandioca, o assentamento tem diversas outras culturas, além de ter iniciado a experiência com o plantio de maracujá orgânico. 


De acordo com Márcia Barille, da Direção Estadual e do Setor de Produção, a diversidade no assentamento reflete a realidade de todos os assentamentos do MST no estado. “Temos uma enorme variedade da nossa produção. O que produzimos não vira ração de porco na China, como faz o agronegócio. Ela vira alimento de qualidade, sem veneno, na mesa das famílias brasileiras”.


Para viabilizar as doações, sindicatos, entidades e pessoas parceiras pagaram os custos do plantio aos produtores. A forma encontrada pelo MST se assemelha ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que foi cortado pelo governo golpista de Michel Temer. Pelo programa, os alimentos produzidos pela agricultura familiar eram adquiridos pelo Governo Federal e destinados à formação de estoques governamentais ou à doação para as pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricionais.


Com o corte, quem mais sofre são aquelas pessoas que dependiam do programa, afirma Barille. “O Programa era uma segurança para a agricultura familiar e para as pessoas, nas cidades, que dependiam destes alimentos. O corte realizado pelo golpista Temer evidencia o fato de este governo, além de ser ilegítimo, ser antipopular”, conclui a dirigente.


A coordenação do Movimento planeja novas doações em outras entidades que necessitam.

 

 

*Editado por Rafael Soriano