Por Lizely Borges
Da Página do MST

 

Com um mês de gestão completo no dia 12 de junho, a população brasileira avalia negativamente o governo interino de Michel Temer. A pesquisa Vox Populi, divulgada nesta terça-feira (14), aponta a rejeição às medidas adotadas por Temer e preocupação com direitos sociais e com a realidade do trabalhador.


A consulta à população foi realizada entre os dias 7 e 9 de junho com 2.000 pessoas, residentes em todos os estados (exceto Roraima) e Distrito Federal, de 116 municípios, com idade superior à 16 anos, e atendendo à critérios de gênero, idade, escolaridade, renda familiar e contexto de trabalho.


Para 67% dos entrevistados, o desempenho de Temer como presidente é regular ou negativo e 46% desaprovam a extinção e fusão de Ministérios, como o do Desenvolvimento Agrário e das Mulheres Igualdade Racial e Direitos Humanos.


As medidas adotadas neste curto período também são vistas de forma negativa: a maioria avalia que a diminuição de verbas para o Programa Minha Casa Minha Vida (54%), o aumento da idade mínima para aposentadoria (77%) e a diminuição de beneficiários do Bolsa Família (48%) são medidas prejudiciais a vida da população brasileira.


Já a sinalização pelo governo do fim do monopólio de exploração do Pré-Sal pela Petrobrás e da privatização de empresas estatais são avaliadas como negativas ao país por 50% das pessoas entrevistadas.


A análise sobre direitos sociais e contexto do trabalho piorou desde a última pesquisa, realizada entre os dias 27 e 28 de abril, período anterior ao afastamento de Dilma Rousseff. Em abril, 26% sinalizavam que, diante de um eventual governo Temer, o desemprego deveria piorar. Na nova pesquisa, já com novo governo interino, a porcentagem saltou para 52%. O mesmo ocorreu na avaliação sobre a piora dos programas sociais (de 34%, em abril, para 56%) e dos direitos dos trabalhadores (32% para 55%).


Corrupção e impeachment


De acordo com a pesquisa, com Temer na presidência, o combate à corrupção deve piorar para 44% dos que avaliaram, melhorar para 26% e não sofrerá mudanças para 22%. Cresce a avaliação de que o impeachment não é a solução para o país – de 57% em abril para 69% em junho.


“Bastou um mês do governo interino para que a população comece a perceber que a realidade piorou com o afastamento da presidenta Dilma. Foi vendida a ideia de que as coisas mudariam e Temer faria mudanças para melhor. A pesquisa reforça que a cada dia que passa um número maior de pessoas começa a entender que as coisas pioraram e que ele não é a solução para o Brasil. Foi vendido também a ideia de que o governo corrupto era o do PT, em um mês de governo já caíram três ministros por corrupção e, entre os atuais, grande são investigados. Com essas informações a sociedade começa a perceber que a saída deste governo interino é exatamente a saída dele” conta Francisco Dal Chiavon, membro da coordenação nacional do MST.


Na tarde de ontem (16) mais um ministro foi afastado. Henrique Alves (PMDB-RN) pediu demissão do Ministério do Turismo após ter sido citado em delação do ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, por recebimento de propina. Henrique é o terceiro a deixar a recente gestão de Temer. Também deixaram Romero Jucá, do Ministério do Planejamento e Fabiano Silveira, do Ministério da Transparência. Ambos por denúncias de envolvimento em esquemas de corrupção.

 

 

*Editado por Rafael Soriano/
Foto: Reprodução da Web