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Abertura do evento aconteceu na manhã da última quinta-feira. Foto Antônio Kanova

 

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

 

O seminário Educação em Agroecologia nas Escolas do Campo teve seu primeiro dia marcado por debates sobre a produção limpa e o desenvolvimento da agricultura ao longo da história da humanidade.


O evento, promovido pelo Setor de Educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra da região Sul do Brasil, começou nesta quinta-feira (16), no Instituto de Educação Josué Castro (IEJC), em Veranópolis, na Serra Gaúcha.


Em tarde de estudos sobre agroecologia, a engenheira agrônoma Ceres Hadich falou sobre a bandeira do Movimento entorno da construção da Reforma Agrária Popular. Segundo ela, a luta dos Sem Terra perpassa a conquista de um pedaço de chão e busca melhores condições de vida no campo, tendo na centralidade a produção de alimentos saudáveis e a criação de uma nova sociedade.


“A agroecologia é, sim, um caminho possível de ser trilhado nessa batalha contra o agronegócio, mas essa luta precisa ser entendida não somente como dos trabalhadores do campo, mas também da cidade”, complementou.


Ceres explicou ainda que o conceito de agroecologia representa a ruptura real do modelo capitalista no campo, e que há o desafio de fortalecer essa agricultura limpa, gerando renda e vida digna para as famílias camponesas. Para atingir este objetivo, Ceres afirmou que o Estado tem o dever de incentivar por meio de políticas públicas a produção agroecológica.


“A agroecologia não pode ser vista como uma simples técnica de produção. Ela deve ser pensada como um processo humanizador, pois implica em olhar para a nossa vida como um todo, e o Estado deve garantir os meios para avançarmos nesse sentido”, apontou.


Já Adalberto Martins, do setor de Produção do MST/RS, fez um resgate histórico do desenvolvimento da agricultura e sua relação com o homem nas diferentes formas de organização de trabalho. Ele também abordou o modelo agroecológico de produção no embate atual de lógicas agrícolas e no movimento da luta de classes. “Os camponeses possuem potencial para avançar significativamente na agroecologia. Só precisamos da decisão política de fazê-la, produzir com diversidade e coletivamente”, argumentou.


Esse trabalho coletivo também foi destacado por Ceres. “Há a necessidade de rompermos com o individualismo, pois a única maneira de vencermos o capital é reforçarmos a prática saudável de produção e de forma coletiva. Sabemos que a agroecologia é capaz de produzir com qualidade, diversidade e preços acessíveis. E essa produção de alimentos saudáveis é uma das grandes contribuições que o MST pode dar ao país”, finalizou.
Livro

Na noite de ontem, o educador José Maria Tardin apresentou aos participantes o livro 'A convenção dos ventos: agroecologia em contos', da ativista da agricultura ecológica Ana Primavesi. A obra foi lançada pela Editora Expressão Popular e traz histórias sobre o campo voltadas para público infanto-juvenil. “Ana sempre repetia: solo sadio, planta sadia, homem sadio. Essa é a base de toda a teoria e conhecimento que ela desenvolveu”, disse Tardin.

O educador José Maria Tardin apresentou aos participantes o livro A convenção dos ventos agroecologia em contos'. Foto Miguel Stedile.JPG
O educador José Maria Tardin apresentou aos participantes o livro A convenção dos ventos agroecologia em contos'. Foto Miguel Stedile


Seminário


O seminário Educação em Agroecologia nas Escolas do Campo se encerra no próximo sábado (18), e tem como objetivo debater a agroecologia e sua relação com o atual momento de luta de classes no campo, além de pensar maneiras de potencializar nas escolas a Jornada Cultural Nacional "Alimentação Saudável: um direito de todos", lançada pelo MST em novembro de 2015.


O intuito é iniciar a construção de orientações para um programa de estudos sobre agroecologia nas escolas do campo, conectando práticas e conteúdos específicos aos estudos das ciências da natureza e da sociedade nas diferentes etapas da educação básica; além de discutir as relações existentes entre agroecologia, educação, escola e trabalho.


O evento reúne cerca de 120 educadores de Educação Básica de assentamentos da Reforma Agrária e acampamentos, incluindo coordenações pedagógicas e professores das áreas de ciências da natureza e da sociedade; profissionais de ciências agrárias com formação em agroecologia, que atuam em assentamentos e ou em escolas do campo; assessores orgânicos do setor de educação; coletivo político-pedagógico do IEJC; e convidados de instituições parceiras do Movimento.

 

*Editado Por Maura Silva