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Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia

 

Nos dias 05 e 06/06, cerca de 40 trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra realizaram o Curso de Saúde do Campo na Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto, no Prado.


Com o tema "Ergonomia no trabalho do campo", o curso teve o objetivo de abordar as relações entre o homem do campo e seu ambiente de trabalho, afim de proporcionar maiores benefícios à saúde e ao bem estar dos trabalhadores.


Na ocasião, os Sem Terra debateram sobre a realidade do trabalho na sociedade do capital, afirmando que esse modelo social busca aumentar seus lucros, desenvolvendo métodos que exploram e desumanizam o trabalhador.


Pensando nisso, refletiram sobre a lógica de produção em escala do agronegócio e como isso provoca grandes problemas à saúde dos trabalhadores e a degradação do meio ambiente.


Trabalho no Brasil


De acordo com o Dr. Renato Bonfatti, professor da FioCruz do Centro do Estudo de Saúde do Trabalhador, na Escola Nacional de Saúde Pública, a realidade do trabalho no Brasil é insustentável. "Se levarmos em consideração os dados anuais, acontecem cerca de 5 milhões de acidentes de trabalho, 3 mil mortes e mais de 13 mil pessoas com aposentadoria por invalidez".


Além disso, explicou que a ergonomia se preocupa em adaptar as condições de trabalho ao trabalhador com o objetivo de gerar mais segurança. “Entretanto, são escassos os projetos e investigações desenvolvidas sobre a ergonomia no trabalho do campo”.


"Existem muitos trabalhos científicos sobre a ergonomia industrial e no setor de serviços, mas a ergonomia no trabalho do campo não se encontra muitos", alerta.


Saúde popular e agroecologia


O curso de ergonomia cumpre com os objetivos do projeto “Saúde e Plantas Medicinais em Sistemas Produtivos Agroecológicos”, popularmente conhecido como "Saúde Popular e Agroecologia", iniciado em 2015 pelas famílias Sem Terra do extremo sul baiano.


O projeto é uma iniciativa do MST em parceria com a Fiocruz e a ESALQ/USP, pretendendo contribuir para o desenvolvimento socioambiental e sanitário em sete pré-assentamentos e comunidades rurais da região. Além de monitorar e acompanhar as condições de vida e saúde das famílias assentadas.


Segundo Bonfatti, a iniciativa do MST em desenvolver o trabalho no campo através da agroecologia cria outras possibilidades com autonomia, permitindo a apropriação de novas técnicas que a ciência oferece ao trabalhador.


Diante disso, os trabalhadores concluíram o curso reafirmando que a agroecologia, somada à apropriação de técnicas e conhecimentos científicos sobre a ergonomia, possibilita o desenvolvimento de um trabalho saudável no campo, gerando assim, qualidade de vida aos trabalhadores.

 

 

*Editado por Rafael Soriano