Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia


“Temos a tarefa de promover a cultura agroflorestal como mecanismo de desenvolvimento sustentável para o campo e a cidade. Resgatando as sementes crioulas e se contrapondo ao modelo de produção do agronegócio”, afirmou o dirigente estadual do MST na Bahia, Wilson Pianissola, durante o Curso de Coleta de Sementes e Produção de Mudas.


Após quatro dias de estudo e práticas sustentáveis, o curso encerrou suas atividades nessa sexta-feira (03), no Assentamento São Sebastião de Utinga, em Wagner, na região da Chapada Diamantina.


O espaço contou com a participação das famílias do assentamento e de trabalhadores de comunidades vizinhas, que construíram diversas bases técnicas e científicas para obter o conhecimento sobre a formação e coleta de sementes, além da produção de mudas e sua comercialização.


De acordo com os instrutores da Secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia que realizaram o curso, é necessário reconhecer as principais infraestruturas para implantação e operacionalização de um viveiro para garantir a restauração de espécies nativas com práticas de produção de mudas.


Para isso, foram apresentadas noções básicas de coleta de sementes da caatinga, de produção e beneficiamento de sementes. Além disso, foram estudados os métodos para seleção e marcação de plantas matrizes, o planejamento e implantação de viveiros, assim como, os equipamentos para coleta de sementes e estruturas necessárias para implantação de viveiros.


Conhecimento popular


Um dos pontos que marcaram o curso foi a socialização das experiências populares e históricas, passadas de geração em geração pelos camponeses.


Para o assentado Pedro de Jesus, há muito tempo os trabalhadores do campo estão desenvolvendo técnicas de produção sustentáveis. “Utilizamos em nossas plantações os ensinamentos de nossos avós e isso sempre garantiu o resgate de nossas sementes crioulas e o cuidado de nossas matas e biodiversidade”.


“Nossa região possui um escassez grande de água, por isso temos a tarefa de preservar os rios, os animais e produzir alimentos sem venenos e com qualidade”, destacou Pedro.


Contraponto


Por outro lado, as famílias que estão participando do curso, sofrem ofensivas diretas dos monocultivos do agronegócio, que privatizam um dos principais afluentes da região, o rio Utinga.


Desde o início deste ano, o MST vem denunciando o descaso dos latifundiários com o rio, com a promoção de queimadas, desmatamento das matas ciliares e construção de barragens, impedindo o seu percurso.


Em Wagner, os camponeses produzem diversas culturas, com destaque à produção de banana, através dos sistemas de irrigação. Com a privatização, a produção das famílias está prejudicada.


Produção e luta


“Quando nos desafiamos a nos organizar e desenvolver nosso modelo de produção respeitando o meio ambiente e os saberes populares, estamos apontando à sociedade a real necessidade política de construirmos a Reforma Agrária em nosso país”, explicou Pianissola.


“Temos a tarefa de desenvolver nossos assentamentos com formação e tecnologia, fazendo lutas em defesa de nossa natureza e dialogando sobre a perspectiva agroecológica. Só assim poderemos avançar e construir uma sociedade soberana e sustentável”, concluiu.


Ao final do curso, os trabalhadores afirmaram a necessidade de permanecerem no trabalho coletivo de resgate das sementes crioulas e impulsionar o processo de reflorestamento e o beneficiamento através da produção de mudas nativas.


Edição: Iris Pacheco