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Por Cristiane Passos
Da CPT

 

Uma mesa de abertura, na manhã dessa quinta-feira (2), composta por Padre Geraldo Barbosa, da Arquidiocese de Mariana; João Paulo Paranhos, secretário de Mariana; o deputado federal Padre João; Nilmário Miranda, secretário Estadual de Direitos Humanos; o Vereador Cristiano Vilas Boas, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara; Marcelo Villarrica, do Movimiento dos Trabajadores Excluídos da Argentina e Beatriz Cerqueira, coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, saudou os quase 300 participantes do evento.


Todos destacaram em suas falas o crime ocorrido em Mariana e a conjuntura política do Brasil neste momento. Beatriz encerrou a mesa com uma homenagem a cada um dos mortos pela lama da barragem de Fundão.


Em seguida João Pedro Stedile, do MST e Daniel Seidel, professor da Universidade de Brasília (UnB) e membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), fizeram uma análise de conjuntura e discutiram a reforma política. O ponto forte da discussão foi o esgotamento do atual modelo econômico e a necessidade de se criar um novo projeto de Brasil. “Esse capitalismo está em crise porque é dominado hoje por apenas 1% de milionários que são donos dos bancos e das grandes corporações, no Brasil isso representa apenas 76 mil pessoas milionárias”, explicou Stedile. Já o professor da UnB lembrou que essa democracia formal, que está hoje em decadência, nasceu junto com o capitalismo.


Stedile destacou, ainda, os projetos de sobrevivência do neoliberalismo, ainda tratado como saída econômica para o Brasil, mas que também está em crise. “Nós vivemos uma crise política grave porque a democracia está em crise em todo o mundo. Aqui no Brasil em especial foi sequestrada pelas grandes empresas. Os setores da burguesia não discutem projetos, eles discutem como vão aumentar seus lucros. O neoliberalismo não é um projeto de nação. Ao invés de tirar o país da crise, provavelmente vai afundar ainda mais o Brasil. Mas é esse projeto que levou o Temer, através de um golpe, à presidência”.

 

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Encontro debate a questão da terra no Brasil


A primeira Mesa do Encontro debateu os temas relacionados à terra e as lutas pela garantia do acesso a ela.


Thiago Valentim, da coordenação nacional da CPT, destacou as falas do Papa e a importância da iniciativa que ele teve em dialogar com as organizações sociais. “O Papa não propõe somente um diálogo, mas uma ampla aliança entre os setores sociais, entre as igrejas”, destacou.


“O problema agrário no Brasil se agrava quando percebemos claramente a opção dos governos pelo capital no campo, a partir do modelo do agronegócio”, analisou Thiago. Além dessa opção, os governos também não realizaram a reforma agrária e não garantiram terra aos povos e comunidades tradicionais. “Garantir o acesso à terra é garantir a identidade dos povos”, enfatizou o coordenador da CPT.


“A não reforma agrária não causa conflito apenas do não acesso à terra, mas vai ocasionando outros conflitos, como os conflitos ambientais por exemplo. A dinâmica do capital vai avançando de um território a outro. Em um ano os conflitos podem atingir mais os assentados e sem terras, e no outro mais os povos e comunidades tradicionais”, finalizou Valentim.


Rosângela Piovezani, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), lembrou que 51% dos estabelecimentos rurais são, hoje, do agronegócio e apenas 11% da reforma agrária, “são os camponeses do país que mantém mais de 70% da produção de alimentos do Brasil e convivemos com uma ameaça real ao nosso território, além disso, somente 3% das unidades de pequena produção está no nome das mulheres”.


*Com informações do Brasil de Fato MG

 

**Editado por Rafael Soriano