Da Página do MST 


De Olho nos Ruralistas - um observatório do agronegócio no Brasil - inicia nesta semana uma campanha de financiamento coletivo para a realização de um programa jornalístico de webTV e de um site com notícias diárias. O projeto parte da constatação de que a existência de um veículo independente é fundamental para resistir aos interesses dos ruralistas e de sua bancada no Congresso.


Conheça o site da campanha aqui


A ênfase será nos impactos sociais e ambientais do agronegócio. Do desmatamento à expulsão de camponeses, da comida com agrotóxicos à violação de direitos dos povos indígenas. Quais as consequências de um modelo que se vangloria de sua participação no PIB e consegue eleger a bancada mais representativa do Congresso, a bancada ruralista?


O De Olho será um programa de webTV quinzenal (ou semanal, conforme o volume de doações) em que pesquisadores, jornalistas, participantes de movimentos sociais e organizações não-governamentais vão comentar e analisar as últimas notícias sobre o impacto do agronegócio.


Fazer um jornalismo crítico sobre a questão agrária é também a proposta do site: uma alternativa à imprensa que defende o agronegócio como se não houvesse outro modelo possível -– da agroecologia ao uso compartilhado de terras. Com notícias, reportagens e artigos para se pensar outro país, com agricultura familiar, demarcação de terras de populações tradicionais e sem a violência da grilagem e da concentração de terras.

 

Os temas do site são:


De Olho na Comida - Agroecologia, comida orgânica, alternativas ao modelo industrializado de produção de alimentos. O agronegócio chama agrotóxico de “defensivo agrícola”. Não. É veneno. E mata.


De Olho no Ambiente – O agronegócio destrói biomas. A Amazônia, o cerrado, a caatinga, os campos. Consome a maior parte da água. Acelera as mudanças climáticas. Não se pode falar no aquecimento global como se ele ocorresse à margem desse modelo econômico. A imprensa fala de bancada ruralista, mas não da bancada socioambiental. Porque nosso sistema político é ruralista.


De Olho nos Conflitos – A política do agronegócio perpetua a desigualdade. Ameaça, despeja, assassina camponeses e povos indígenas e destrói comunidades para se apoderar de terras. A reforma agrária é tratada, no Brasil, como se fosse um bicho papão e não uma reforma capitalista. Somos o país dos massacres no campo e da pilhagem de terras. E precisamos falar nisso.


De Olho no Agronegócio – A movimentação das empresas (das usinas, dos frigoríficos, dos grandes exportadores de grãos, de cana, de laranja) e de suas interfaces no Congresso: os políticos ruralistas. Fiscalizar o poder político e econômico é tarefa fundamental dos jornalistas.

 

A campanha de arrecadação começou no dia 19 de maio e se encerra dia 20 de julho. A meta mínima é arrecadar R$ 72 mil. Com esses recursos, será realizado um programa quinzenal de webTV por seis meses, entre julho de 2016 e janeiro de 2017, e uma página na internet. Além de uma oficina, em dezembro, sobre imprensa e questão agrária.


No caso de se atingir metas maiores serão realizadas outras oficinas, com temas como alimentação e ambiente. A meta maior prevê um programa de webTV semanal, em vez de quinzenal.


As recompensas aos doadores serão roteiros do programa, com os links para as notícias, debatidas; descontos em livros da Editora Contexto; livros autografados; oficinas sobre imprensa e os temas do projeto (questão agrária, alimentação, ambiente); newsletters diárias.


De Olho nos Ruralistas tem em sua equipe os jornalistas Alceu Castilho (autor do livro “Partido da Terra – como os políticos conquistam o território brasileiro”; Editora Contexto, 2012), Patrícia Cornils (documentarista, autora do documentário “Querida Mãe”, 2010) e Gabriela Leite (editora de vídeos, designer e fotógrafa), com transmissão da TV Drone e em parceria com o projeto Outras Palavras.


A veiculação de notícias sobre alternativas ao agronegócio e a desconstrução de discursos convenientes ao poder econômico são necessárias para um exercício efetivo da cidadania. Viabilizar esse tipo de jornalismo significa participar da construção de outro país, de outro olhar para o nosso território e nossos recursos – que pertencem a todos. Contribua!


Aqui o site da campanha de arrecadação


Veja aqui o vídeo no YouTube