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Foto: Marina Praça 

 

Por André Vieira
Do Brasil de Fato 

 

Aos pés do Cristo Redentor, na subida para o Corcovado, a favela do Cerro-Corá ganha mais um aliado na luta pelo acesso à educação. Começaram as aulas esta semana do cursinho pré-vestibular comunitário através de uma parceria entre um grupo de moradores, o Levante Popular da Juventude e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).


O projeto contará com o apoio de diversos professores voluntários, que se revezarão para dar aula de todas as disciplinas que cairão no Exame Nacional do Ensino Médio. As provas deste ano estão marcadas para os dias 5 e 6 de novembro. 


A ação pode ajudar a realização de sonhos, como o da jovem Larissa Borges, de 17 anos, que será uma das alunas do cursinho. Moradora do Cerro-Corá, ela é a mais velha de três irmãos. A paixão pela odontologia teve grande influência pelo ofício de sua mãe, que trabalha como assistente em um consultório no Rio. Em sua família, somente uma tia tem ensino superior.


Ela inicia as aulas com o objetivo de ser a segunda a entrar na universidade. “É muito bom que tenha esse cursinho aqui, para que a gente não precise ir muito longe para estudar e também não gaste dinheiro na hora de se preparar para o Enem”, conta Larissa. 


O início


Tudo começou quando um grupo de pessoas organizaram o “Cerro-Corá: moradores em movimento”, que vêm construindo uma série de atividades no local. Janderson Dias, de 26 anos, esteve no início dessa mobilização. “A gente tinha a ideia de construir um museu para contar a história de nosso lugar e fazer uma biblioteca.


Depois fomos avançando e conhecendo outros movimentos e decidimos fazer uma pré-vestibular aqui”, lembra. Além de construir o grupo de moradores, Janderson é também integrante do Levante Popular da Juventude, que atua no campo e na cidade em todo o país.


Além de preparar aqueles que querem entrar na universidade, o cursinho também é destinado aos que querem tirar o diploma de ensino médio. “Aqui é um projeto coletivo. Tudo será feito com a participação de todos”, adianta Janderson, ao lembrar que doações daqueles de fora do Cerro-Corá serão bem-vindas. Livros e aparelhos eletrônicos já são algumas necessidades dos alunos.


Campo e cidade


Carmen Diniz, integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), conta que essa é a primeira de muitas experiências que o movimento quer fazer com as favelas cariocas na construção de projetos de educação. “Infelizmente a imagem que as pessoas das favelas têm dos cidadãos do campo ainda não é correta, e vice-versa, por conta da mídia que nos criminaliza. É fundamental que o campo e a cidade dialoguem ainda mais”, pontua Carmen. 


Ela lembra ainda que é a oportunidade para que o MST, além de repassar os conhecimentos acumulados com sua experiência em educação, possa também aprender com os moradores do Cerro-Corá. “A ideia é trocar experiências, elevando a consciência política de todos os envolvidos com o projeto”, finaliza.


Aulas


As aulas ocorrem durante a semana, com exceção da quarta-feira, e também haverá aulões todos os sábados.As contribuições e contatos com o cursinho podem ser feitos através do e-mail prevestcerro@gmail.com.