Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST


Após a série “Tem veneno no seu mel”, na qual denunciamos a mortandade de abelhas por causa do uso indiscriminado de agrotóxicos e do avanço da soja transgênica na região da Campanha do Rio Grande do Sul, o procurador Everton Meneses, do Ministério Público de Bagé, afirmou que busca providências junto ao governo do Estado.


Meneses admite que há falta de fiscalização, conforme denúncia dos assentados que perderam colmeias inteiras nos últimos três anos, e que a solução real parte de ações em nível estadual e nacional, uma vez que a mortandade das abelhas na região da Campanha não é um caso isolado.


“Estamos preocupados, pois o Ministério Público sozinho não tem muito o que fazer para resolver esses problemas. Temos que trabalhar essa pauta com órgãos como o Ibama e outros voltados ao meio ambiente, e garantir a efetiva fiscalização”, declara.


O promotor ainda diz que, para evitar a expansão dos prejuízos gerados pelos agrotóxicos, depende de medidas como a revogação da lei de 2003, que permite o uso e o cultivo de transgênicos no Brasil.


Ele também reconhece que há uso de venenos contrabandeados que entram facilmente na Campanha, por estar localizada nas proximidades da fronteira com o Uruguai. “Esses produtos entram no estado com grande facilidade e o trabalho de fiscalização é muito fraco, não se tornando efetivo”, reforça.


Ele acrescenta que pedirá auxílio à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR) para tratar da mortandade de abelhas.


Confira as três reportagens da série que revelam a situação de apicultores e os problemas que eles vêm enfrentando na região da Campanha do Rio Grande do Sul:


Chuva de veneno mata abelhas e destrói produção de mel no interior do RS


Alerta: mortandade de abelhas pode ficar sem controle


Desafios da produção sem veneno: “Até quando tivermos condições, nós continuaremos apostando na apicultura”, diz assentado