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Por Geanini Hackbardt
Da Página do MST


“Quando o primeiro acampamento surgiu na Encruzilhada Natalino, no Rio Grande do Sul, cercado pelo Coronel Curió, havia um grupo de meia dúzia de crianças brincando em cima de um árvore. Elas cantavam ‘a classe roceira e a classe operária esperam ansiosas a reforma agrária’.


O intelectual que passava por lá disse: esses Sem Terra vão vencer, porque eles incluíram o canto e a cultura no meio deles.” Assim contou Ênio Bohnenberger, Direção Nacional do MST, durante o lançamento do Festival Nacional de Arte e Cultura da Reforma Agrária.


Nenhum momento seria melhor para fazer tal anúncio, senão durante a chegada da “Marcha pela Democracia”, no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte: cidade que receberá as atrações do Festival, no período de 20 a 24 de julho.


O MST trará para a capital mineira toda a produção de 32 anos de caminhada. Ela estará à mostra na Feira de Produtos Agroecológicos e culinária regional, mas a produção do movimento vai muito além disso. Trata-se de um acervo político, social, organizativo e artístico – das mais diversas linguagens – que garantiu a resistência do povo sem terra por todos esses anos de abandono da Reforma Agrária.


 

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Ainda segundo Ênio, desde aquele ano, em 1979, “não se faz uma reunião, uma assembleia, uma atividade no movimento sem um poema, uma canção ou um ato místico que incorpore a cultura”.


Na disputa pela Reforma Agrária e pela transformação social, o MST não luta apenas pela a terra. O imaginário social, o universo simbólico, a consciência humana também são territórios onde uma sutil e delicada batalha é travada, na qual a cultura possui centralidade estratégica.


O dirigente relatou que a marcha é uma das práticas mais comuns entre os povos que buscam a liberdade. “A começar pelos negros que rondavam os palácios de Roma e quando chegou a vez em que acharam que tinham acabado com todos os escravos romanos fugitivos, eles erguiam fogueiras ao redor dos palácios a noite e batiam tambores para dizerem: estamos vivos ainda”. O festival ecoará o som desses tambores e do canto de resistência.


Tendo em vista a urgência de popularizar a pauta do movimento, para que as cidades entendam a importância da democratização das terras para produção de alimentos saudáveis e a necessidade contrapor o ódio que se alastra como epidemia na atual conjuntura, o MST convida a sociedade a conhecer de perto o que é o movimento.


Seja na instalação do acampamento de lona preta, na mostra de vídeos e artes plásticas, seja nos debates, nas atrações nacionais e internacionais, etc, os participantes terão oportunidade de vivenciar a cultura da luta pela terra. “Não queremos que seja um festival do MST, queremos que seja um festival dos povos brasileiros”, disse Ênio.


Durante os quatro dias, haverá apresentações de composições inéditas no festival de música, “Da luta brotam vozes de liberdade”.

E declamações das poesias na Mostra “Versando Rebeldia”, que resultarão num livro de 100 poemas. Já o festival se converterá em CD, com as 20 melhores composições, 10 da militância e 10 de compositores profissionais. Ambas inscrições estão abertas até 31 de maio de 2016.


Confira os regulamentos aqui

 

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