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Da Página do MST
Fotos: Pedro Castro

 

Após o circo armado na Câmara para aprovação do processo de impeachment, os partidos que protagonizam a oposição a Presidente Dilma Roussef têm os governos estaduais na mira. Os Movimentos Sociais que se articulam na Frente Brasil Popular se posicionam como suporte e como imã, puxando a classe política do campo democrático popular para as trincheiras que defendem a decisão das urnas.


Configurado o terceiro turno e com a disputa rasteira apoiada em vazamentos seletivos, as forças de esquerda garantem que o verdadeiro combate à corrupção precisa ser feito por todos os brasileiros. Tendo em vista que este é um mal inerente à sociedade capitalista, a saída seriam reformas e transformações profundas da sociedade.


A Frente afirma se preparar para resistir e a radicalizar suas manifestações, caso o impeachment seja efetivado. O primeiro sinal desta movimentação é a Marcha pela Democracia, que foi lançada após a entrega da medalha da inconfidência ao Ex-Presidente do Uruguai, Pepe Mujica, em Ouro Preto, no dia 21.


De acordo com os movimentos que organizam a manifestação, essa é uma forma simbólica e concreta de mostrar para a sociedade que o caminho para reverter a atual cisma na política brasileira é longo e exige persistência. “A marcha é pedagógica para os trabalhadores e trabalhadoras que participam dela e também para os que assistem a passagem. Ao mesmo tempo que demonstramos força e resistência no processo de 6 dias de luta, vamos deixando o recado para os brasileiros de que este atentado à democracia não passará tão facilmente”, explicou Beatriz Cerqueira, presidente da CUT-MG.

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As manifestações em defesa da democracia tem se sustentado pela articulação de movimentos e sindicatos de esquerda, a classe artística e representantes da institucionalidade política. No caso destes, é possível separar entre os poucos corajosos que se posicionam com convicção e aqueles que são arrastados pela pressão dos movimentos sociais.


A secretária de educação, Macaé Evaristo foi convidada a oferecer uma aula pública para os integrantes da marcha, quando ela passava em Mariana. “O estado de Minas Gerais tem uma responsabilidade muito grande, porque nós temos aqui um governo do campo democrático popular que foi eleito fortemente pela mobilização dos movimentos sociais. Foi eleito pelas urnas, mas sem os movimentos sociais isso não teria acontecido”, lembrou Macaé.


Para ela, o recurso não está em novas eleições nem em articulações obscuras: “Nesse momento a gente tem que aparecer na cena pública, a gente não pode ter medo. As pessoas não nos colocaram aqui para brincar. A gente tem que fazer cotidianamente uma luta pela garantia dos direitos e hoje no nosso país, garantir direitos é combater o golpe. Não deixar ter golpe. Não deixar que setores que não tiveram voto nas urnas queiram usurpar um direito legítimo constituído do povo brasileiro”.


Organizadores da Marcha destacam o dia 26 como o auge da mobilização. Vencendo um circuito de cidades que contam por si a história do Brasil – Ouro Preto, Mariana, Santa Bárbara e Sabará – as fileiras vermelhas irão tingir o morro do Alto Vera Cruz, em Belo Horizonte. Os trabalhadores subirão o morro para convidar a periferia a descer rumo a Praça da Liberdade. Na última parada do itinerário os manifestantes serão acolhidos pelos moradores da capital e por artistas, num ato cultural que começará às 17 horas. Na mesma tarde as lideranças da Frente Brasil Popular se reunirão com o Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, no Palácio da Liberdade.


O grande final desta história, porém, não é aqui. A Marcha está deixando por onde passa rostos curiosos e entusiasmo, inspirado nos passos fortes, nas palavras firmes e nas bandeiras tremulantes. As pessoas que marcham se formam em coletivo, a cada dia mais alinhadas, como um exército pronto para a guerra. E o mar vermelho em movimento deixa um recado claro para as elites golpistas: a luta está na rua.

 

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Contra Samarco-Vale


O trajeto da caminhada passou pela MG 129, para realizar um protesto no complexo minerário de Mariana, no último sábado (23). Ao tentar passar por um alambrado, para iniciar o ato político em frente à sede da Samarco, o batalhão de choque da polícia militar atirou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes.


A intenção do protesto era relembrar de forma pacífica o rompimento da barragem de Fundão, que devastou todo o Rio Doce e deixou 23 mortos. No microfone do carro de som, os militantes faziam falas de denuncia, relacionando a influência de empresas transnacionais como a Vale, infiltrada no Estado através da corrupção, na articulação do golpe. “Nós viemos aqui pra mostrar que o povo trabalhador não vai deixar passar isso barato”, disse Ênio Bonhenberger, coordenador nacional do MST.


Logo em seguida houve o ataque e uma breve dispersão dos marchantes, que tentaram se proteger da fumaça. “Vimos fazer um protesto diante dessa empresa assassina que matou trabalhador, matou um rio, e que vive em função do lucro. Como todos viram, fomos recebidos pelo aparato repressor”, explicou Silvio Netto, coordenação estadual do MST.


Para Netto, tais truculências alimentam ainda mais a indignação dos trabalhadores. “Isso não vai nos fazer recuar. Só nos inspira a continuar a luta com mais qualidade e mais rebeldia”, asseverou. Após alguns minutos os marchantes se reorganizaram, derrubaram o alambrado que impedia a passagem e seguiram com as falas no caminhão de som.


A Marcha ainda passou pela Mina de Fazendão, da Vale S.A., que foi ocupada por mulheres do MST, durante a Jornada de Lutas do 8 de março. No local, os manifestantes realizaram uma ação de agitação, que deixou nos muros recados como “Vale assassina” e “Não esqueceremos”.